plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Invasões ameaçam artesanato de Icoaraci

Uma das mais ricas práticas culturais de Belém corre o risco de desaparecer. É que s crescentes invasões registradas em áreas próximas a mangues e igarapés que cortam o distrito de Icoaraci têm prejudicado a coleta de argila, matéria-prima utilizada pelos

twitter Google News

Uma das mais ricas práticas culturais de Belém corre o risco de desaparecer. É que s crescentes invasões registradas em áreas próximas a mangues e igarapés que cortam o distrito de Icoaraci têm prejudicado a coleta de argila, matéria-prima utilizada pelos artesãos da vila para confeccionar a cerâmica famosa mundialmente. Os barreirenses estão tendo de se deslocar a áreas cada vez mais distantes para coletar o material, o que pode encarecer o preço da argila e refletir negativamente na cadeia de produção do artesanato, fonte de renda de centenas de famílias.

A jazida de argila na área dos rios em Icoaraci é grande e a matéria-prima é abundante. Mas existem muitas pessoas se apossando dos locais onde há a argila. “Com as invasões, ficamos impedidos de coletar o barro onde antes era livre para se pegar”, explica Ciro Santos, proprietário da Olaria do Espanhol, uma das mais tradicionais do bairro do Paracuri. “Cada viagem que o extrator faz, ele descobre que a área de onde tirava a argila já tem dono. Aí, é obrigado a ir pegar mais pra frente”, destaca.

Os “donos” da área impedem os extratores de tirar a argila do solo. Os que insistem são ameaçados e até impedidos de avançar para outras áreas. “Sempre soubemos que essas áreas de rio são área de Marinha. Não têm dono, mas a indústria da invasão está muito forte lá e o poder público não atua”, denuncia. “Fizeram várias plantações de açaí em cima das áreas onde há nossa matéria-prima.”

Foto: Fernando Araújo

Cada um por si

Espanhol disse que, há cerca de 3 anos, o Ibama esteve no local fazendo uma fiscalização e destinou uma área para a extração de argila. Porém, houve um esgotamento e a coleta não pôde mais ser realizada. “O problema é que, desde essa época, não retornaram mais para homologar uma nova área e deixaram de mão. Aí, é cada um por si...”, critica.Os barreirenses que vão às áreas de rio coletam, beneficiam a argila e vendem para as estâncias, que compram a barra (que varia entre 10 e 12Kg) por R$ 3. “A crise diminuiu as vendas das peças e a demanda por compra também caiu”, conta o empresário, que compra dos extratores cerca de 100 barras por semana e mantém 6 funcionários na estância.


Artesãos pedem providências às autoridades

John Roosevelt, presidente da Associação dos Barreirenses de Icoaraci, que conta hoje com 15 associados, consegue beneficiar 600 barras de argila por semana, mas esse número já chegou a ser bem maior. “Já cheguei a pegar mil barras durante o verão. Hoje tá mais difícil, por causa das invasões. Vamos para os igarapés e mangues e retiramos na marra e cada vez mais longe”, confirma.

Ele conta que os invasores não querem a retirada das áreas ocupadas e expulsam os coletores. “Não podemos arrumar confusão com ninguém lá, pois é de lá que tiramos nosso sustento e aceitamos essa condição, mas o trabalho fica difícil”, diz o barreirense, que já atua há 45 anos na atividade.Paralelamente ao problema, os artesãos da vila continuam a desenvolver sua arte, que passa de pai para filho. É o caso de Leopoldo Croelhas de Lima, 68 anos, 50 atuando como artesão modelador. “Comecei como boleiro de barro, apanhando e amassando o barro para dar ao artesão. Com o tempo fui observando, pegando a manha da coisa e a fazer as minhas primeiras peças”, relembra.

Hoje, Leopoldo é o principal artesão da Olaria do Espanhol. “Aprendi tudo sozinho. Ninguém me ensinou nada. O poder público deveria tomar alguma providência. É o nosso futuro que está em jogo”, diz o artesão, que chega a trabalhar 8 horas por dia.


Produção artesanal é reconhecida pela beleza e pluralidade cultural

Icoaraci é conhecido como um dos principais polos de produção artesanal de cerâmica do Pará. De reconhecimento internacional, o artesanato icoaraciense apresenta em suas peças uma beleza plástica e diversa, fruto da pluralidade cultural manifestada desde os tempos pré-coloniais. São três estilos tradicionais do artesanato local: marajoara, tapajônico e maracá. Concentra-se no bairro do Paracuri o maior número da produção de Icoaraci, mais precisamente na travessa Soledade, onde se localiza a maior quantidade de olarias.

Assim que chega à olaria, a argila passa por um processo de “limpeza” com fios de cobre. Depois, é amassada manualmente até virar a massa de barro, que será transformada nas peças vendidas nas lojinhas. Todo o trabalho é manual, usando um suporte de madeira giratório que fica apoiado em uma mesa. Só depois de um paciente trabalho de preparação é que o artesão põe sua “távola” giratória para funcionar. Este é um dos mais importantes instrumentos do ceramista. É aí que o artesão começa a dar forma às peças.

Sem resposta

Agência distrital

O DIÁRIO encaminhou para a Prefeitura alguns questionamentos: se a Agência Distrital de Icoaraci vai ajudar os artesãos e os trabalhadores que coletam a argila;se há algum programa de apoio ou incentivo social, cultural ou financeiro aos artesão da vila; e se existe previsão para a criação do Polo de Cerâmica no Paracuri anunciado pela Prefeitura, mas que até agora não saiu do papel. Nenhuma resposta foi encaminhada ao jornal até o fechamento desta edição.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!