Moradores de Ananindeua, Belém e Marituba continuam enfrentando problemas com o acúmulo de lixo devido à recente suspensão da coleta por causa da segunda interdição, este mês, do acesso dos caminhões ao aterro sanitário de Marituba, realizada entre a noite da última quinta-feira (16) e a manhã de sábado (18), pela comunidade do entorno. O acesso já foi liberado pelos manifestantes, após uma tutela de urgência do Tribunal de Justiça do Estado (TJPA), emitida a pedido da Prefeitura de Belém, mas a Região Metropolitana ainda não se recuperou.
Montes de lixo podem ser vistos com frequência pelas ruas da capital, aglomerados nas esquinas à espera que a coleta se normalize. Enquanto isso, moradores reclamam de quem continua contribuindo para o crescimento desses amontoados. “É sempre assim, basta um jogar que todo mundo vem para jogar no mesmo lugar. E jogam de tudo, de televisão a caroço de açaí”, reclama Nelson Furtado, morador do bairro do Canudos, onde um aglomerado se formou no cruzamento da rua Dr. Américo Santa Rosa com a travessa Nina Ribeiro. Ele diz que aquele ponto já é crítico e só piorou com as recentes suspensões da coleta. “Sem coleta, eu voltei com o meu lixo para casa. Mas a maior parte joga ali e está ficando insuportável”, acrescenta.
Na Cidade Nova, bairro de Ananindeua, o cenário se repete. Na esquina da travessa WE-17 com a SN-03, onde funciona uma pequena feira, outro amontado pode ser encontrado. Comerciante da feira, Hugo Ferreira, 70, conta que sábado já era o quarto dia sem coleta. “E a Secretaria de Saneamento Básico fica a menos de 30 metros daqui. Um absurdo”, denuncia.
APOIO
Quando questionados sobre a manifestação em Marituba, os entrevistados concordaram com a atitude dos moradores. “Eles têm razão. Acho que cada município deveria cuidar de seu próprio lixo em um lugar diferente”, opina Hugo. Já Nelson acredita que o poder público precisa transferir o lixão para um local desabitado. “E depois eles têm de manter o controle de não deixar ocuparem o entorno, senão o problema vai se repetir”, sugere.
Hélio Oliveira, integrante da comissão do Fórum Permanente Fora Lixão de Marituba, conta que o movimento e a população do município repudiam a decisão da Justiça. “O Judiciário está indo de encontro às reivindicações do movimento e fechando os olhos para os problemas que os moradores de Marituba enfrentam há um ano e 11 meses”, diz.
Próximos passos
- Haverá audiências hoje e amanhã, respectivamente, dos manifestantes com os vereadores da Câmara Municipal de Marituba e com os de Ananindeua
- Nesta quarta, às 7h, o grupo fará um ato público da comunidade na Praça Matriz, de onde manifestantes farão uma caminhada com roteiro ainda a ser definido
(Arthur Medeiros/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar