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Audiência apresenta soluções para o aterro

Uma sessão especial foi realizada durante a manhã de ontem (19), na Câmara Municipal de Marituba, para se discutir a atual situação do aterro sanitário do município, que tem causado problemas à população do entorno, contaminando ar, a água e espalhando um

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Uma sessão especial foi realizada durante a manhã de ontem (19), na Câmara Municipal de Marituba, para se discutir a atual situação do aterro sanitário do município, que tem causado problemas à população do entorno, contaminando ar, a água e espalhando um forte odor ao redor do aterro. No entanto, mais do que apontar os problemas, o principal objetivo dos vereadores era buscar soluções. O Ministério Público Estadual e a empresa responsável pelo aterro, a Revita, também foram convidados, mas não compareceram.

“O que queremos com essa sessão é discutir soluções. Sabemos que não basta fechar o lixão, temos de procurar outras saídas sobre como tratar esses resíduos”, explica o vereador de Marituba Manoel Rocha (PDT). A vereadora de Belém Marinor Brito (PSOL) também compareceu à sessão, defendendo que apenas a união dos municípios pode resolver a situação. “Essa crise só vai ter solução quando houver um acordo envolvendo todas as prefeituras, o Ministério Público, as Câmaras, as secretarias do Estado e dos municípios”, explica.

No decorrer da manhã, diversos membros da população e líderes dos movimentos sociais subiram à tribuna para denunciar os transtornos causados pelo aterro e cobrarem medidas das autoridades. Secretários se pronunciaram a favor das reivindicações populares e dispostos a criar um planejamento conjunto entre os municípios que compõem a região metropolitana para a solução da crise dos resíduos sólidos. O cancelamento do contrato da Revita com o Estado e a criação de um consórcio intermunicipal foram os principais pontos levantados.

ENERGIA

Antônio Noca Freire, diretor da empresa IAMA Brasil, participou da sessão e propôs a instalação de uma Unidade de Processamento e Geração de Energia Ativa de Resíduos Sólidos para substituir o aterro. Segundo Freire, o empreendimento daria tratamento adequado ao lixo enquanto geraria energia elétrica que abasteceria, principalmente, os prédios públicos dos municípios, de forma sustentável. “Haveria uma triagem anterior ao processo, que separaria o lixo reciclável do restante”, garante o diretor. “E, então, viria o processo que transformaria 90% do lixo em energia elétrica e os 10% restantes seriam aproveitados em mistura para asfalto destinado à pavimentação das vias públicas”, completa.

Iniciada por volta das 10h, a sessão durou por toda a manhã, chegando até o início da tarde, e contou com a presença de alguns vereadores da Câmara de Belém e representantes das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma) e de Saneamento (Sesan) de Belém, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Seurb) de Ananindeua, da Secretaria de Meio Ambiente de Marituba, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), e da Procuradoria Geral de Marituba, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PA) e das lideranças comunitárias. O prefeito de Marituba, Mário Filho, também esteve presente.

EM ANANINDEUA

Hoje, a partir das 9h, a Câmara Municipal de Ananindeua realiza sessão especial para discutir sobre coleta, triagem, destinação e reciclagem do lixo na Região Metropolitana de Belém. A sessão foi requerida pelo vereador Breno Mesquita (PV), em resposta aos protestos realizados por moradores de Marituba, insatisfeitos com as dificuldades causadas pelo aterro sanitário da Revita. Estão previstas as participações dos prefeitos de Ananindeua, Belém e Marituba, além de vereadores e secretários de Urbanismo, Saneamento e Meio Ambiente das três cidades.

"Enquanto outro local estiver sendo estudado para transferir o aterro, daríamos fim no odor com bactérias que eliminam os gases”, disse Daniel Graminho, Engenheiro agrônomo (Foto: Mauro Ângelo)

Biotecnologia eliminaria o odor desagradável

O engenheiro agronômo da ABC Ambiental, Daniel Graminho, propôs à Prefeitura de Marituba a implementação de uma tecnologia que conseguiria minimizar o odor do lixão enquanto ele ainda estivesse em operação e até eliminá-lo completamente, uma vez paralisado. “Enquanto outro local estiver sendo estudado para transferir o aterro, daríamos fim no odor com bactérias que eliminam os gases e, em uma segunda etapa, dos resíduos sólidos, através de biodigestores”,
explica o especialista.

Representantes do Instituto Socioambiental Guaimiaba, da OAB/PA e do Partido Verde (PV) distribuíram um manifesto durante a sessão com a sugestão de 10 passos para a solução da crise e melhorias no tratamento final do lixo da região metropolitana. A formação de um consórcio intermunicipal, a implementação de coleta seletiva, um incentivo fiscal aos moradores que tratassem seu lixo de forma adequada e a instalação de um novo modelo de destinação desses resíduos
eram algumas das sugestões do documento.

(Arthur Medeiros)

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