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Renais lutam por tratamento digno

A pedagoga Elani Santos da Cruz, 40 anos, enfrenta uma máquina de diálise há 10 anos. Quatro anos antes de começar o tratamento, descobriu que tinha cálculo renal. O Estado custou a lhe conceder um leito para operar. “Só poderia fazer o procedimento no Ho

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A pedagoga Elani Santos da Cruz, 40 anos, enfrenta uma máquina de diálise há 10 anos. Quatro anos antes de começar o tratamento, descobriu que tinha cálculo renal. O Estado custou a lhe conceder um leito para operar. “Só poderia fazer o procedimento no Hospital das Clínicas ou no Ophir Loyola, mas nunca tinha leito”, recorda.

O tempo foi passando e a consequência da não realização da cirurgia foi que o cálculo calcificou e acabou por gerar uma inflamação, seguido por uma hidronefrose, quando o rim enche de líquido. “Comecei a passar mal e fui para a diálise. Tive de retirar os dois rins... Estou nessa situação por causa da negligência do Estado”, diz.

No Ophyr Loyola, Elani ouviu que não seria operada porque seu caso “não era de urgência”. Segundo ela, os pacientes renais hoje não têm direito de se internar no hospital. “Hoje, eles só internam as pessoas que têm câncer no rim. Quem tem outros problemas é mandado direto para a máquina de diálise, que passa a funcionar com uma clínica”, denuncia.

Transplantes

Sem trabalho, Elani ainda não é aposentada e hoje ganha hoje apenas um salário mínimo concedido pelo Estado para pessoas consideradas inválidas. “Faço diálise três vezes por semana e sou cadeirante. Estou há quase dois anos com o joelho quebrado e ainda não consegui uma consulta. Minha vida é muito complicada”, relata.

A situação da pedagoga é igual à de centenas de outros pacientes renais que hoje lutam para ter um tratamento digno ou fazer um transplante no Pará. Em 2016, houve 57 transplantes de rim contra 53 realizados em 2015, um aumento de apenas 7%. Segundo a Central Estadual de Transplantes, esses números estão longe de serem suficientes para a quantidade de pessoas aguardando na lista de espera. Hoje, existem 563 pacientes esperando o órgão noEstado do Pará.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) garante que o Estado trabalha para atender a necessidade da população através de serviços em seus hospitais próprios e por meio da rede privada para pacientes que necessitam de hemodiálise com a descentralização dos serviços e a detecção precoce da doença.


Para entender a doença renal crônica


10% da população mundial é afetada pela Doença Renal Crônica (DRC), que atinge pessoas de todas as idades e raças• Metade das pessoas com 75 anos ou mais tem algum grau de DRC.• 1 em cada 5 homens e 1 em cada 4 mulheres entre 65 e 74 anos tem DRC.

Fatores de risco:

Pressão alta e diabetes são as causas mais comuns da DRC em adultos. • Transpiração decorrente do diabetes.• Histórico familiar de doença renal.- Excesso de peso.• Tabagismo.• Ter mais de 50 anos.

Origem africana, hispânica, aborígene ou asiática.

Como prevenir?

Fazer exercícios físicos;

Controlar a diabetes e monitorar a pressão arterial;

Ter uma alimentação saudável;

Beber bastante água;

Não fumar;

Não tomar remédio sem prescrição médica.


Não há leitos e máquinas para todos

No Estado do Pará, existem 24 serviços de hemodiálise em funcionamento – entre públicos e privados - que atendem 3.085 pacientes. A capital concentra metade desses atendimentos: são 12 serviços atendendo 1.384 pacientes. Os dados são da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará (ARCT-PA).

“Os serviços estão todos lotados e a demanda de novos pacientes é enorme”, revela Belina Soares, presidente da associação. Segundo ela não existe atendimento adequado aos hipertensos e diabéticos nos municípios. “Com isso esses pacientes estão vindo para hemodiálise mais rápido. Até diria de maneira assustadora. Hospitais estão lotados de pacientes necessitando de tratamento e nos deparamos com a falta de leitos, máquinas e profissionais para atender a demanda”, denuncia Belina.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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