Para entrar ou sair de casa, a universitária Wanessa Modesto, 25, tem de contar com a sorte, já que ultimamente a rua onde ela mora tem sido tomada pela água com frequência. O motivo é simples: quando chove, a via fica submersa. A estudante reside na passagem Santa Clara, na rua Acatauassu Nunes, no bairro do Marco, em Belém, que está tomada por buracos e bueiros sem tampas.
A situação é crítica desde a entrada da rua, que permanece bloqueada por uma cratera, que toma toda a largura da pista. “Eu não arrisco entrar com meu carro e, quando a gente passa de moto, a água chega quase à cintura, até após a chuva”, reclama Wanessa.
Não é exagero dizer que o entregador de água mineral e gás de cozinha José Martins, 60, faz malabarismo para acessar a passagem. “Eu coloco praticamente a bicicleta nas costas para ela não empenar”, conta. Morador da região há 30 anos, o autônomo Manuel Gonçalves, 43, diz que a situação tem ficado cada vez pior. “O Marco é conhecido pelas enchentes. Precisamos de atenção”, pede à Prefeitura.
Os moradores se viram para poder entrar em casa (Foto: Fernando Araújo)
CALÇADAS
Na entrada da pista, há dois estabelecimentos comerciais: um mercadinho no lado esquerdo e uma padaria no direito. As calçadas chegam a quase 50 centímetros, altura feita para impedir que a água invada as propriedades. “Tivemos de fazer uma escada para as pessoas subirem. Esse é o acesso de todos que entram na Santa Clara”, observa Maria Fernandes, 25, funcionária da panificadora.
É a calçada, que ainda não está totalmente pronta, que a assistente social, Camila Oliveira, 26, tem de subir para não sujar os pés e entrar na rua de sua casa. “Está um absurdo. É insustentável essa situação”, diz.
Junto à universitária Wanessa Modesto, ela reuniu 50 assinaturas de populares em um documento que levou à Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), em setembro do ano passado. No entanto, não teve respostas. “Eles disseram que a gestão ia mudar, na época, e por isso não poderiam fazer nada”, relembra. Elas insistiram e voltaram pelo menos mais 3 vezes ao órgão para cobrar uma solução. “Pedimos um trabalho de drenagem e recapeamento da rua”, disse a estudante. Com os documentos protocolados na Sesan em mãos, a assistente social critica a demora no pedido e a ausência do poder público no local. “Eles são omissos. Não atendem a uma necessidade de uma obra que nem é grande”, completa Wanessa.
Procuradas pela reportagem, as assessorias de imprensa da Prefeitura de Belém e da Sesan não responderam aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta edição.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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