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População de Marituba vai fechar BR-316

Um mês após promover o primeiro protesto, a população de Marituba inicia nesta manhã um novo ato para exigir a desativação imediata do aterro sanitário da Revita instalado naquele município. Desta vez, a partir das 7h, os moradores prometem ocupar, por te

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Um mês após promover o primeiro protesto, a população de Marituba inicia nesta manhã um novo ato para exigir a desativação imediata do aterro sanitário da Revita instalado naquele município. Desta vez, a partir das 7h, os moradores prometem ocupar, por tempo indeterminado, a rodovia BR-316, no quilômetro 10, na entrada da Alça Viária. Eles vão cobrar do poder público a definição de um prazo para o encerramento das atividades no aterro.

O aterro sanitário de Marituba recebe todo o lixo produzido em Belém e Região Metropolitana. A poluição do ar acompanhada de mau cheiro, proveniente do chorume armazenado no local, têm afetado a rotina da cidade como um todo. Desde o mês passado, a população tem cobrado o cumprimento de medidas para amenizar os prejuízos causados pelo funcionamento do empreendimento. O acesso ao aterro chegou a ser interditado duas vezes, interrompendo a coleta de lixo nos municípios da Região Metropolitana de Belém, causando grandes transtornos à população.

LIMITE

Amenizar o odor que tem prejudicado a saúde da população e a rotina nas escolas, empresas e comércio, foi uma das condicionantes discutidas em reuniões com representantes dos governos estadual e de municípios da RMB. Embora a empresa Guamá Tratamento de Resíduos (Revita), administradora do aterro, afirme que está “em ritmo acelerado de obras” para resolver o problema do odor, a população garante que até agora não houve melhorias efetivas.

“Há denúncias de que o odor está se espalhando, chegando até o centro de Ananindeua”, diz Hélio Oliveira, membro do Fórum Permanente Fora Lixão de Marituba. “Queremos providências imediatas. Chegamos ao limite”, reforça, ao acrescentar que os imóveis da cidade estão desvalorizados.

Segundo Hélio, a comunidade foi excluída das reuniões da comissão incumbida de fiscalizar o cumprimento das medidas para diminuir o impacto ambiental e poluição. A proposta inicial era de que, junto com a comissão formada por representantes da comunidade de Marituba e parte de Ananindeua, Ministério Público, Ordem dos Advogados, Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), seria discutida a viabilidade de outra alternativa para a destinação dos resíduos sólidos. Mas ele garante que isso não aconteceu até agora.

RESPOSTA

A Guamá Tratamento de Resíduos informou que “neste momento está focada em ações para resolver o problema de geração de odor, que deve ser regularizado nos próximos 20 dias”. A nota diz ainda que “o fechamento do acesso ao aterro de Marituba, ainda que temporário, prejudica os interesses da população ao impactar no ritmo de obras”.

Já a Semas disse que “está vistoriando diariamente a área do aterro e monitorando as medidas determinadas pelo órgão ambiental”. Sobre o pedido de fechamento do aterro, a Semas informou que já recepcionou solicitações de cartas consulta por parte de outros empreendimentos referente a esta situação. E continuou dizendo que existe, inclusive, um “Termo de Referência Orientativo emitido pela Semas para fins de estudos ambientais nas áreas propostas”.

ENTENDA A CRISE DO LIXO

-1º protesto: No dia 1º de março, os moradores de Marituba interditaram a via de entrada do aterro em Marituba. Durante 3 dias, a coleta de lixo foi interrompida nos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba.
- A população passou a cobrar a desativação do aterro.
- 2º protesto: Ocorreu no dia 17 deste mês, quando os moradores voltaram a interditar a via de acesso ao aterro sanitário. No mesmo dia, o juiz Eduardo Martins Teixeira determinou que o bloqueio ao aterro fosse encerrado.
- 3º protesto: no último dia 22, os moradores de Marituba realizaram uma manifestação na rodovia BR-316 pedindo a desativação do aterro.
- Na sexta-feira (24): O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realizou uma vistoria no aterro e deve apresentar um relatório .
- Na segunda-feira (27): Um representante técnico da Guamá Tratamentos de Resíduos (Revita) participou de uma oitiva na sede do Ministério Público do Estado.
- Belém e distritos produzem em média 1.000 toneladas de lixo domiciliar por dia, segundo a Prefeitura de Belém.
- Hoje (04): A população promete ocupar por tempo indeterminado a rodovia BR-316, na entrada da Alça Viária, até que seja apresentado um prazo de fechamento definitivo do aterro

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

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