O autônomo Sandro Lima, 22, mora há 18 anos, na travessa 8 de Maio, em Icoaraci, distrito de Belém. Durante todo dia, ele e sua família são obrigados a conviver com o mau cheiro que vem do bairro Maracacuera, onde estão localizados três curtumes e uma fábrica de beneficiamento de peixe. “Moramos a 2Km de lá e não aguentamos o odor”, reclama. Os transtornos ambientais, como contaminação do solo e dos mananciais da região e do mau cheiro, causados pelos curtumes Couro do Norte, Ideal, Fênix e pela Empresa de Reciclagem Industrial de Resíduos Animais (Repar), foram discutidos, na manhã de ontem, na Câmara Municipal de Belém (CMB).
A Sessão Especial foi proposta pelo vereador Maciel Manão, com o objetivo de trazer soluções para o problema. “Não vamos ficar de braços cruzados diante desta situação”, afirma o parlamentar. Ele alega que o mau cheiro está se espalhando para bairros próximos, como Pratinha, Tapanã e Parque Verde. Além disso, o problema tem afastado os turistas dodistrito de Outeiro.
Para a engenheira química e representante da Universidade Federal do Pará, Simone Pinheiro, essas empresas produzem gases químicos perigosos. “Existem formas de conter os problemas, porém os custos são altos. É preciso que elas invistam mais”, explica. A especialista argumenta que os resíduos das indústrias causam poluição irreparável atmosférica, hídrica e do solo.
Na tribuna, a promotora de Justiça Simara Lopes Lima, da 2° Promotoria de Meio Ambiente de Icoaraci, assegura que já tramita uma ação civil pública para investigar as denúncias da população. A representante do Ministério Público Estadual (MPE) alega que, se as empresas forem condenadas, “elas podem ser interditadas e obrigadas a pagar uma multa indenizatória”. A ação está em fase de analise judicial.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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