Nos filmes e nos livros, eles já foram retratados como aqueles sujeitos vestindo um casaco xadrez e de lupa na mão. Mas na vida real, os detetives particulares são bem mais discretos. Eles geralmente passam despercebidos, enquanto colhem informações para os clientes, produzindo relatórios, vídeos e fotos. E sempre ficam no anonimato. Apesar dos estereótipos, a profissão é coisa séria e, agora, está próxima de ser regulamentada por Lei.
Recentemente, as regras para quem pretende atuar como detetive particular foram aprovadas pelo Senado, detalhando exigências e áreas de atuação desses profissionais. Agora, só falta a sanção do presidente Michel Temer. Para virar detetive, será necessário ter concluído o Ensino Médio, participar de curso profissional de 600 horas e não ter condenação penal. Os profissionais poderão atuar em investigações familiares, trabalhistas, localização de pessoas e animais, entre outras. Pelo texto da nova lei, o detetive deve interromper a investigação privada se perceber algum indício de crime e fica obrigado a comunicar o caso à polícia.
Os detetives também podem colaborar com investigações policiais, desde que autorizados pelo contratante e com a concordância dos delegados. Classificados de jornais e internet são os meios mais comuns de divulgação dos serviços dos detetives.
Para o detetive Sombra, paciência e discrição são fundamentais para um bom investigador (Foto: Mauro Ângelo)
IDENTIDADE
Eles sempre usam codinomes, para preservar a identidade. “Além da discrição e sigilo, é preciso muito preparo, paciência e vocação”, explica o detetive que se identifica como Sombra. Há 27 anos na profissão, ele diz que sempre teve um quê de Sherlock Holmes, famoso personagem da literatura universal. Após fazer curso de detetive, Sombra deixou a bancada da farmácia que administrava e passou a viver de investigações.
Para ele, investigar é montar um quebra-cabeça em uma rotina que envolve riscos. Mais que investigadores, ele define os detetives como auxiliares da Justiça. Como exemplo, cita as diferentes atuações, como localização de veículos, identificação de estelionatários, busca de pessoas desaparecidas, entre outras. Geralmente, o serviço é cobrado por diária ou por todo o trabalho, com valores que incluem os riscos e gastos da ação, como gasolina, impressão de fotos e produção de vídeos.
A tecnologia é grande aliada. Uma boa câmera é item básico para uma missão e permite, por exemplo, fazer registros pela janela do carro. Mas também há gravadores em formato de canetas e relógios. Até um botão de camisa pode esconder uma câmera. Outros diferenciais são as técnicas e disfarces para acompanhar uma pessoa sem ser percebido ou se infiltrar em locais.
Nesse negócio, também há espaço para as mulheres. Uma das detetives que atuam em Belém usa o codinome “Anne”. Seu guarda-roupas a ajuda a mudar de identidade de acordo com o trabalho. São perucas, óculos e todo tipo de roupa - da mais provocante ao terno de executiva. Ela diz que também está atenta ao lado psicológico dos clientes. “Procuro ajudar um pouco, dependendo da situação de cada um”, diz.
Os casos de traição ainda são os mais comuns. Mas outras modalidades estão ganhando espaço. Uma delas é o setor empresarial. O detetive pode ser acionado por empresário que desconfie estar sendo enganado pelo sócio ou para investigar funcionários. Os detetives também são acionados para proteger dados do sistema de informações da empresa, investigar roubo de ideias e identificar funcionários que possam estar vendendo informações.
COMO CONTRATAR
No Estado, são cerca de 280 detetives associados, segundo a Associação dos Agentes e Detetives do Pará (Aaipep). Sombra, que é secretário da entidade, criada em 1995, diz que esse número é resultado de uma triagem muito rígida para garantir um serviço sério e profissional.Antes da regulamentação, a profissão era amparada por legislações e decretos. Sombra alerta que, sem a obrigatoriedade de registro, muitos têm aproveitado para trabalhar de maneira errada. A orientação aos clientes é não adiantar pagamentos antes da assinatura do contrato, onde devem constar o nome verdadeiro do detetive, e não o pseudônimo. Sem essas precauções, muitos acabam pagando por serviços que não são realizados e ficam sem condições de localizar o detetive. Antes de contratar um profissional, consulte ou peça indicação à Aaipep, pelo telefone: (91) 3274-4010.

(Marta Cardoso/Diário do Pará)
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