Cinco dias após registrar mais uma chacina na Região Metropolitana, a capital paraense ganhou destaque internacionalmente justamente pela situação alarmante de violência. Conforme foi noticiado na edição de ontem (9) do DIÁRIO, Belém foi eleita a 11ª cidade mais violenta do mundo e a 2ª mais violenta do Brasil, em 2016, em um levantamento feito pela ONG Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, com sede na Cidade do México. A população de Belém se diz temerosa e clama por mais segurança.
Baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes, a lista da ONG analisou os municípios com mais de 300 mil habitantes. Com o índice de 67,41 registrado em 2016, Belém só perde para Natal, capital do Rio Grande do Norte, que registrou no mesmo ano o índice de 69,56.
No caso de Belém, os pesquisadores revelaram que, “pela falta de informações oficiais do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Belém”, usaram como base reportagem assinada pelo jornalista Mauro Neto, do DIÁRIO, publicada no dia 15 de janeiro deste ano, detalhando a estatística de mortalidade, a partir de dados do Ministério da Saúde.
MEDO
Para a população, não importa ser um bairro considerado “nobre” ou da periferia, a violência está em todo lugar. A sensação é de estar preso dentro de nossas próprias casas ou de estar em constante perigo nas ruas. Quem já viveu na pele a violência teme pelo dia de amanhã.
É o caso do motorista Benedito Ferreira, 54, que já foi assaltado pelo menos 5 vezes nos bairros do Guamá e Jurunas. Além do policiamento insuficiente, ele atribui essa situação ao desemprego e ao tráfico de drogas. “Tem muita gente sem trabalho e também o usuário que não tem dinheiro para comprar o vício, ele vai roubar”, pontua.
Já o auxiliar de serviços gerais Adilson Viana, 28, que é morador do conjunto Cordeiro de Farias, no bairro do Tapanã, diz que convive de perto com a violência. Mesmo não tendo filhos, ele já se preocupa em proporcionar uma boa educação aos filhos no futuro. “Acho que falta oportunidade. Se a gente reage, morre. Às vezes tem perto da casa da gente, mas a gente não se mete”, pondera.
OAB/PA vai denunciar chacinas de Belém à ONU
Entre 19h50 e 23h55 da última terça-feira (4), a Polícia Civil contabilizou dez homicídios por arma de fogo na RMB, sendo sete em Ananindeua, dois em Belém e um no distrito de Icoaraci.
Com o expressivo número de assassinatos cometidos em uma única noite, no dia seguinte à chacina, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou que havia intensificado ações de policiamento e de patrulha na RMB.
Apesar de a Segup anunciar a instalação do gabinete de crise na sede do Centro Integrado de Operações (Ciop) e de medidas “a fim de manter a ordem pública e a segurança da população”, somente neste final de semana, foram contabilizados pelo menos 6 homicídios. Os crimes foram praticados na RMB, entre 12h de sábado (8) e 18h de domingo (9), em um período de 30 horas.
OAB
Após a série de assassinatos registrados no dia 4 deste mês na Região Metropolitana de Belém, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Seccional Pará decidiu informar sobre o histórico de violência que assola o Pará desde 2014. O objetivo da entidade é tornar público a sensação de profunda insegurança e impunidade que têm assolado a população paraense e, com isso, buscar soluções eficazes para enfrentar o problema.
Para isto, a situação será levada a órgãos de todas as esferas, tais como o Conselho Federal da OAB, aos Organismos Internacionais que possuem Sistema de Proteção aos Direitos Humanos, seja na esfera global (como a Organização das Nações Unidas – ONU), seja na esfera regional interamericana (como a Organização dos Estados Americanos – OEA) e às Organizações Não-Governamentais de Defesa de Direitos Humanos.
Em seu comunicado, a OAB ressaltou que as medidas são fruto do dever da entidade para com a sociedade . “Exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os Direitos Humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”, encerra.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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