“É um caos total”. Adonai Martins, 38 anos, marreteiro do Porto do Açaí, no bairro do Jurunas, não mede palavras ao denunciar o estado de abandono de seu local de trabalho. As queixas são várias: falta de espaço, falta de cobertura, estruturas inseguras, entre outras que ficam ainda pior quando somadas às obras atrasadas da Prefeitura Municipal de Belém, que há mais de um ano prometeu revitalizar o porto apenas para abandonar o empreendimento poucos meses depois. “Estamos indignados. A gente precisa disso aqui. Eu tenho dois filhos para criar”, critica o trabalhador.
Um dos principais pontos portuários e de comercialização de açaí da cidade, o porto é a única feira da capital que funciona 24 horas por dia. Feirantes, carregadores, ribeirinhos, entre outros trabalhadores dependem do entreposto para sobreviver e sustentar a família, mas suas atividades têm ficado cada vez mais difíceis nos últimos tempos.
A ponte e o trapiche que recebem a mercadoria estão precários, tábuas quebradas, colunas soltas e madeira apodrecida fazem a estrutura balançar com o grande fluxo de pessoas e produtos que passam por ali diariamente.
Para Adamor Freitas, 45, ela deve cair até o final do ano. “Não tem segurança nenhuma para a gente trabalhar. A gente tenta improvisar alguns reparos, para ver se ameniza, mas não adianta muita coisa”, queixa-se o carregador.
Ele explica ainda que a feira é pequena demais pra quantidade de gente e mercadoria que chegam ao local. “De madrugada, fica impossível. Mal dá pra entrar”, acrescenta.

População utiliza uma ponte improvisada pelos próprios feirantes. (Foto: Fernando Araújo)
Terrível
Outra preocupação é com a cobertura. Sem nenhuma proteção, os produtos ficam expostos à chuva, correndo o risco de estragar a mercadoria e causar prejuízo aos comerciantes. “Molha o açaí, molha as pessoas, enche de lama. É terrível”, continua Adamor.
Também falta uma rampa adequada para as embarcações menores que não podem descarregar no trapiche, tenham acesso à feira. Uma rampa pequena, de madeira, improvisada pelos próprios comerciantes, é a única forma que carregadores que chegam em canoas, por exemplo, têm de levar o produto até o local.
“Quando a maré tá baixa, eles precisam atravessar na lama para subir a rampa. Isso não é jeito de trabalhar”, denuncia o feirante Benedito Ferreira, 50.
Reforma prometida pela Prefeitura nunca saiu do papel
Pais fazem malabarismo para evitar que filhos não se machuquem ao transitar no local. (Foto: Fernando Araújo) O projeto previa uma expansão de 700 metros, a construção de uma plataforma sobre o rio e de um novo prédio com cobertura, barracas, banheiros e áreas de embarque e desembarque. Tudo o que foi feito, no entanto, foram pontos de estacas de concreto que foram implantadas no início do projeto, na parte do porto. Em nota, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) informou que a reforma está garantida, mas que foi paralisada por problemas com a empresa contratada. A situação, porém, já teria sido resolvida e uma reunião já foi agendada entre o órgão e a liderança do Porto do Açaí, para a próxima semana. |
(Arthur Medeiros/Diário do Pará)
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