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Nova vacina contra o zika vírus deve ser testada

A revista inglesa Nature Medicine, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, publicou ontem um artigo feito por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), do Pará, sobre os resultados de um estudo da vacina contra o zika vírus, que te

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A revista inglesa Nature Medicine, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, publicou ontem um artigo feito por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), do Pará, sobre os resultados de um estudo da vacina contra o zika vírus, que tem como seu principal vetor o mosquito Aedes aegypti.

O acordo de cooperação para o início dos trabalhos foi assinado em fevereiro de 2016. Na primeira fase, foram feitas aplicações das doses em camundongos, que responderam positivamente. Hoje, os estudos estão em fase de teste em primatas. A expectativa dos pesquisadores é que a vacina seja testada em humanos até o fim deste ano. Se for comprovada a eficácia do produto, as doses vão ser distribuídas pelo Ministério da Saúde, de forma gratuita, em até três anos.

O estudo foi desenvolvido através de uma parceria entre o IEC e a Universidade do Texas Medical Branch (UTMB), em Galveston, nos Estados Unidos, e teve como intermediária a Organização Pan Americana da Saúde (Opas). A pesquisa contou com um investimento do Ministério da Saúde de quase R$ 10 milhões, valor que será ainda maior na distribuição do produto à população. “Ainda não orçamos os gastos, mas acreditamos que ele ultrapassará o inicial”, observa o diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Fernando da Costa Vasconcelos.

A execução da vacina será feita pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), com cooperação do IEC. “Trabalhamos na pesquisa e no planejamento. Esperamos o resultado final em primatas até o fim de abril. Mas até o momento eles estão respondendo positivamente”, ressalta Vasconcelos, que também é um dos coordenadores do estudo e virologista.

MÉTODO

Os pesquisadores escolheram produzir uma vacina com vírus vivo atenuado (sem capacidade de produzir a doenças), o que dá possibilidade de ser administrada em dose única. “Essa é uma das vantagens, pois uma dose tem a capacidade de garantir a proteção rápida e efetiva, para toda a vida”, reforça Vasconcelos.

A vacina foi feita através de uma parte do material genético do vírus. Na primeira fase, mostrou-se altamente atenuada, imunogênica e protetora, mesmo em camundongos com deficiência no sistema imunológico.

PÚBLICO-ALVO

- Quando a vacina já estiver no mercado, inicialmente terá como público-alvo mulheres em idade fértil e seus parceiros, mas prevê-se a vacinação de crianças dos dois sexos até dez anos.

- A dose não poderá ser aplicada em gestantes, mas o Instituto Evandro Chagas, junto à UTMB, também desenvolve outra tecnologia, a partir do DNA recombinante do vírus, para ser utilizada em mulheres grávidas.

- O IEC é referência nacional e mundial em pesquisas científicas com arbovírus (vírus transmitidos e mantidos em natureza).
l Para o diretor do IEC, este estudo abre uma perspectiva de trazer ao órgão “uma expertise no campo para o desenvolvimento de pesquisas para a produção de vacinas e imunobiológicos”.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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