É verdade, poucas coisas são tão fofas quanto filhotinhos. Mas junto com aqueles animais pequenos e bonitinhos, existe também uma série de responsabilidades, cuidados, trabalho e riscos - tanto para os bebês quanto para a mãe, e até mesmo ao pai. Problemas como o surgimento de doenças, morte prematura, gastos excessivos e o abandono de aninais está diretamente ligado à procriação indesejada e irresponsável. Mas uma saída pode ajudar a prevenir todas essas questões: a castração.
"Muitas pessoas encaram a castração como uma mutilação cruel, mas é longe disso. Castração é um procedimento cirúrgico responsável, que ajuda e até salva a vida de animais. É também um ato de amor ao pet", afirma o veterinário Cláudio Rodrigues. O procedimento consiste na retirada dos órgãos responsáveis pela procriação do animal: do útero, trompas e ovários no caso das fêmeas, e dos testículos, no caso dos machos. "A cirurgia é feita por um médico veterinário qualificado, com anestesia no animal. É um procedimento simples, indolor. Claro, necessita de cuidados pós-operatórios, como qualquer procedimento, mas coisas simples, como a higienização, para não ter infecções".
O pós-operatório costuma durar de uma semana a 10 dias, dependendo do animal. Mas, de acordo com Cláudio, os benefícios são para a vida toda. "Um ponto importante é o controle populacional. Proles indesejadas, ou até mesmo planejadas de forma irresponsável, podem resultar em abandono de animais. Isso significa mais cães e gatos nas ruas, passando fome e frio", afirma o veterinário. "Isso quando se trata em termos gerais, na sociedade. Para o animal em si, há muitos outros benefícios, tanto para machos quanto para fêmeas".

A castração é um procedimento simples, que previne o surgimento de diversas doenças nos pets. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
Uma das principais mudanças positivas é na saúde, com a prevenção de doenças. "Entre as fêmeas, diminui drasticamente o risco de câncer de mama, principalmente antes do primeiro cio. Também corta o risco de doenças do útero, como piometra e metrite, gravidez psicológica e tumores. Já entre os machos, previne o aumento da próstata, câncer de testículos e doenças", continua Cláudio.
Além da saúde em si, a castração também provoca mudanças no comportamento do animal. "Os animais ficam mais tranquilo, costumam latir menos, param de urinar na casa para marcar território, ficam menos irritados. As fêmeas deixam de entrar no cio, o que evita que machos persigam ela para acasalar. Os machos também evitam brigas em disputa por fêmeas, param de fugir para procurar uma parceira", afirma Cláudio. "Há uma tendência a engordar, mas é contornada com alimentação regulada e exercício físico, como as caminhadas. E, mesmo castrado, o cão continuará defendendo a casa de invasores".
Para castrar seu animal, o dono pode procurar clínicas veterinárias e se informar sobre o procedimento. Em Belém também é possível procurar a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para realizar o procedimento pela instituição.
Mas para quem, mesmo considerando os riscos, decide colocar seu pet para cruzar, a recomendação é cuidado e atenção. "Ele deve responder as perguntas: vou ter tempo de cuidar do animal gestante, incluindo consultas? Vou ter recursos para pagar os remédios da gestante e dos filhotes? Ter tempo de lidar com a higienização do ambiente e dos animais? Há realmente um lar para todos? Isso é algo muito sério", completa o veterinário. "A mãe pode não ter leite, tentar matar os filhotes, entrar em depressão após eles serem adotados, não querer cuidas das crias. São uma série de questões que precisam ser consideradas".

Reportagem: Gustavo Dutra
Coordenação: Diana Verbicaro
DOL
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