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Vítimas de violência devem buscar ajuda

Casos recentes de violência contra a mulher ganharam destaque na mídia nacional e, mais uma vez, levantaram muitos debates sobre o tema. O primeiro registro ocorreu no último dia 2 de abril, quando o ator José Mayer, de 67 anos, foi acusado de assédio sex

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Casos recentes de violência contra a mulher ganharam destaque na mídia nacional e, mais uma vez, levantaram muitos debates sobre o tema. O primeiro registro ocorreu no último dia 2 de abril, quando o ator José Mayer, de 67 anos, foi acusado de assédio sexual contra uma figurinista da TV Globo. A outra situação foi assistida por milhares de brasileiros que acompanham o reality show Big Brother Brasil 17. A maneira agressiva na qual o cirurgião plástico Marcos Harter tratava a então namorada Emilly gerou a expulsão dele do programa ainda no dia 10. O relacionamento abusivo virou caso de polícia, já que a conduta do médico está sendo investigada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Os dois exemplos retratam uma realidade vivida por milhares de mulheres. De acordo com a psicóloga Flávia Tavares, o comportamento de Emilly é típico de vitimas de violência, já que muitas vezes elas têm dificuldade de identificar que sofrem agressão ou mesmo de falar sobre o assunto. “A moça não conseguia perceber que estava sendo violentada”, avalia. Segundo Flávia, a violência contra a mulher se divide em 3 fases de um ciclo que se repete.

A primeira consiste na criação da tensão. “Iniciam as agressões verbais, crises de ciúmes, ameaças, destruição de objetos pessoais da vítima, críticas, humilhações, xingamentos e pequenas agressões físicas”, detalha. Na segunda fase, considerada como o período “agudo” da violência, a mulher passa a sofrer com a violência física mais séria – socos, pontapés e outros, além de agressões verbais severas que costumam ser narradas com riquezas de detalhes pela vítima.

Ajuda

Já a terceira e última fase do ciclo é o momento em que o agressor se mostra arrependido dos atos e passa agir de forma humilde e amorosa, reforçando a esperança na companheira de que vai mudar. A mulher cria uma falsa esperança, até que o ciclo volta a se repetir. “Isso nunca termina, a não ser que a mulher busque ajuda denunciando o agressor. Caso contrário, ela corre risco de morrer”, alerta.

Observando alguns sinais, é possível identificar quando a mulher está sendo vítima de violência psicológica e física. O mais comum é se isolar dos colegas de trabalho, da família e esconder marcas de agressões físicas no corpo. “Ações de conscientização são importantes para empoderar a mulher a buscar ajuda. Ela precisa se sentir acolhida para se libertar dessa relacionamento abusivo”, destaca Flávia.

É crime!

10 formas de violência doméstica

1 Humilhar, xingar e diminuir a autoestima

Agressões como humilhação, desvalorização moral ou deboche público em relaçãoa mulher constam como tipos de violência emocional.

2 Tirar a liberdade de crença

Um homem não pode restringir a ação, a decisão ou a crença de uma mulher. Isso também é considerado como uma forma de violência psicológica.

3 Fazer a mulher achar que está ficando louca

Há um nome para isso: o ‘gaslighting’. Uma forma de abuso mental que consiste em distorcer os fatos e omitir situações para deixar a vítima em dúvida sobre a sua memória e sanidade.

4 Controlar e oprimir a mulher

Aqui o que conta é o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela faz, não deixá-la sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail.

5 Expor a vida íntima

Falar sobre a vida do casal para outros é considerado uma forma de violência moral, como, por exemplo, vazar fotos íntimas nas redes sociais como forma de vingança.

6 Atirar objetos, sacudir e apertar os braçosNem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico a tentativa de arremessar objetos com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força.

7 Forçar atos sexuais desconfortáveisNão é só forçar o sexo que consta como violência sexual. Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, como a realização de fetiches, também é violência.

8 Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar

O ato de impedir uma mulher de usar métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte ou o anticoncepcional, é considerado uma prática da violência sexual. Da mesma forma, obrigar uma mulher a abortar também é outra forma de abuso.

9 Controlar o dinheiro ou reter documentos

Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher contra a sua vontade, assim como guardar documentos pessoais da mulher, isso é considerado uma forma de violência patrimonial.

10.Quebrar objetos da mulher

Outra forma de violência ao patrimônio da mulher é causar danos de propósito a objetos dela ou a objetos que ela goste.

Processos não são parados por desistências

No ano de 2016, 6.270 mil mulheres em situação de violência foram atendidas nas unidades Pro Paz Integrado (PPI), em todo o Estado do Pará. A maioria dos atendimentos é por violência psicológica, seguido de violência física no ambiente doméstico e violência moral. Lotada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Belém, a delegada de Polícia Civil Nadiana Dahas ressalta que todos os dias são registrados novos casos de agressão à mulher.

O agressor pode ser o filho, o marido, o cunhado, o sobrinho, o irmão, um amigo ou um desconhecido. Na Deam, 8 delegadas se dividem por turnos para prestar atendimento às vítimas. A tomada da decisão de denunciar é a parte mais difícil do processo, sobretudo quando o agressor é o companheiro. E, segundo a delegada, muitas mulheres pensam em desistir após a abertura do inquérito. Contudo, a própria lei Maria da Penha aponta que não se pode desistir do inquérito, uma vez que os crimes são de ação pública. Para a delegada, ainda falta muita informação sobre o que caracteriza a violência psicológica, que é o início do ciclo de violência. “Mesmo que ela volte com o agressor e desista, o processo segue até o fim”, garante.

Para entender

Como denunciar

Qualquer pessoa, incluindo a vítima, pode ligar e denunciar de forma anônima a violência sofrida. Basta ligar para o Disque-Denúncia: 181.

A vítima também pode procurar o atendimento social da Deam para receber orientação. O Pro Paz Mulher/Deam fica na travessa Mauriti, 2394, no bairro do Marco, em Belém.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

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