Uma dor de cabeça, um resfriado ou uma inofensiva má-digestão. Se você comentar com alguém que sente um desses sintomas, a resposta geralmente vem com uma sugestão da medicação que você deve tomar. A prática da automedicação pelos brasileiros é algo preocupante. Cabe ao médico diagnosticar doenças e, a partir disso, indicar qual o melhor medicamento e a dosagem correta para a enfermidade. Automedicar-se traz riscos à saúde, pois a ingestão de substâncias de forma inadequada pode causar reações como dependência, intoxicação e até a morte.
A partir de hoje (1º), começa, em todo o Estado, a Semana Estadual de Conscientização para o Uso Racional de Medicamentos, organizado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-PA), com audiências públicas e palestras. Apesar de existirem medicamentos considerados de “venda livre” - que não exigem a receita médica para a compra – eles não deveriam ser consumidos sem orientação. “O uso de medicamentos orientados pelo farmacêutico são chamados de automedicação responsável, pois terá o mínimo de orientação desse profissional, que realizará uma triagem e conforme a identificação de sintomas, poderá prescrever ou encaminhar ao médico”, explica Marcelo Brasil, farmacêutico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dosagem errada e a reação da mistura de medicamento pode provocar várias reações nos pacientes, como paradas cardíacas, crises alérgicas e até a morte.
ALERGIA
A estudante universitária Karoline Sousa, 24 anos, já foi parar no hospital por causa de uma reação alérgica que sofreu, após o uso de medicamentos por conta própria. Ela conta que não sabia que possuía alergia a tal remédio e levou um enorme susto. “Eu tinha uns 12 anos e tive uma febre. Decidimos tratar em casa. Foi então que tomei ácido acetilsalicílico e em instantes começaram a inchar os olhos e meu corpo ficou tomado por manchas”, conta.
Cada pessoa tem uma reação diferente
Um novo estudo publicado no European Heart Journal (EHJ) associa o uso de diclofenaco e ibuprofeno a um considerável aumento do risco de parada cardíaca - entre 30% e 50%. São dois anti-inflamatórios, populares e de fácil obtenção em qualquer farmácia e sem a necessidade de receita médica.
Para César Gomes, presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Belém, o simples fato de se comprar um medicamento tarjado sem prescrição médica é um risco. “O problema não é a venda ou o tipo de medicamento. O problema é a forma como ele é administrado”, afirma. O profissional alerta que é incorreto acreditar que um remédio ou mesmo uma doença age igual em todo mundo. “As pessoas não levam isso a sério, mas a fisiologia de cada um é diferente. Não dá para se guiar pela compra aconselhada”, reforça. “A dor de cabeça ‘curada’ rapidamente com o analgésico pode ser sintoma de pressão alta, problemas de visão...”, exemplifica Gomes.
OBRIGATORIEDADE DE FARMACÊUTICO
A Lei nº 13.021, de 8 de agosto 2014, obriga as farmácias a terem a presença do farmacêutico durante todo o horário de funcionamento. Apenas o profissional poderá exercer, nestes estabelecimentos, a responsabilidade técnica sobre os produtos.
(Gerllany Amorim/Diário do Pará)
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