A sessão especial realizada na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Belém (CMB), reuniu vereadores, representantes da sociedade civil, autoridades militares e familiares de vítimas da criminalidade, para discutir a violência na capital e no Pará. Durante o debate, o Governo do Estado foi fortemente criticado por não ter enviado nenhum representante da área de Segurança pública.
O objetivo da sessão, proposta pelo vereador sargento Silvano Oliveira (PSD), foi debater a criminalidade que assola a população paraense. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Segup), em 2016, foram 3.650 assassinatos no Estado, 10% a mais que 2015. Até ontem, 23 agentes da segurança pública também se tornaram vítimas. “A violência está grande. Os agentes estão morrendo nas mãos de criminosos. Não há solução. Por isso, trouxemos a sociedade para debater.”, diz.
Ao término da sessão, os parlamentares reuniram demandas, sugestões e deverão cobrar solução das autoridades. “Não podemos ficar calados. Precisamos nos posicionar como representante do povo”, reforça o parlamentar. Ainda durante a sessão, houve uma homenagem prestada pela CMB em memória aos agentes mortos este ano.
Ausência
Eleito pela tropa da Polícia Militar, o deputado estadual, soldado Tércio (PROS), disse estar preocupado com a realidade de insegurança. “Estamos em uma situação de calamidade. Somente este ano, já são mais de 1.000 mortes no Pará. É preciso investimento nos agentes de segurança pública e políticas públicas eficientes para resgatar os jovens antes de entrar no mundo do crime”, avalia.
A ausência de representantes do Governo gerou críticas entre vereadores. O vereador Joaquim Campos (PMDB), acredita que debater com a sociedade, lideranças e entidades de segurança é fundamental para encontrar um caminho que diminua a insegurança. “É um descaso com a segurança pública. O Governo não manda representante. O secretário de segurança é omisso tanto quanto o chefe dele, que é o governador do Estado”.
A vereadora Marinor Brito (PSOL) repudiou a ausência das autoridades competentes. Para ela, o problema não está sendo enfrentando com a importância que deveria. “O que não dá é sair desse debate e não ver representação oficial da Secretaria de Segurança Pública que não sai do seu casulo para responder o que está fazendo para enfrentar a matança, inclusive dos seus servidores, policiais e agentes que estão correndo risco todos os dias”, disparou.
FAMILIARES REVELAM SUA DOR
Com o uniforme do cunhado nas mãos marcado de balas, Daniela Azevedo, de 41 anos, mostrou à plateia, a triste lembrança que a família guarda do sargento Mário Jorge da Conceição Nunes, de 48 anos, morto na noite do dia 8 de janeiro deste ano. Ele foi baleado por dois homens durante um assalto na parada de ônibus, na avenida Boulevard Castilho França, bairro Campina, em Belém. “A família sofre por que ele estava à serviço do Estado. Espero que esse debate sirva para alertar as autoridades sobre a calamidade que a população vive nas ruas”. Mário voltava para a casa, no bairro do Jurunas. Ele teve a arma roubada e estava há 22 anos na corporação.
No mês em que completa um ano da morte do filho, Edejane Gonçalves, de 34 anos, integrante do Movida, ainda não viu os responsáveis por tirarem a vida de Samuel Gonçalves, de 18 anos, serem punidos. “Meu filho não era nenhum criminoso, estudava e foi confundido. Fazia 6 meses que tinha completado 18 anos, sonhava ser jogador de futebol. E foi no retorno de um jogo, que um criminoso dentro de um carro prata, tirou
a vida do meu filho”, detalha.
O crime aconteceu dia 24 de maio, no bairro da Cabanagem, em Belém.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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