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Nova tarifa d’água gera reclamações

O aumento de 35% na conta de água dos belenenses, previsto para entrar em vigor a partir do próximo mês, não foi bem recebido pela população. Após a divulgação na edição de ontem do DIÁRIO, o que não faltou foram demonstrações de insatisfação, principalme

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O aumento de 35% na conta de água dos belenenses, previsto para entrar em vigor a partir do próximo mês, não foi bem recebido pela população. Após a divulgação na edição de ontem do DIÁRIO, o que não faltou foram demonstrações de insatisfação, principalmente de quem mora em bairros onde há constante falta de água e o líquido ainda é de péssima qualidade. “Se tivéssemos um produto bom, de qualidade, valeria a pena pagar pelo reajuste. Mas o que vemos é o contrário”, avalia Carlos Alberto Campelo, de 43 anos, vendedor de farinha na passagem São Pedro, no bairro do Bengui.

Carlos diz que há 6 meses a água não sobe para as torneiras do estabelecimento comercial. Por isso, o jeito que ele encontrou de conseguir o líquido foi aparando com uma garrafa pet a água que corre em um cano improvisado do lado de fora do comércio. “E só consigo assim às vezes. Não era assim, mas o problema surgiu dos últimos seis meses”, diz.

HORRÍVEL

Ao contrário das dificuldades que Carlos enfrenta, no mesmo bairro, o pedreiro Jurandir Guimarães, de 59 anos, ajuda a vizinhança. Ele tem poço artesiano em casa e diz que todas as manhãs os moradores formam fila em frente da casa dele em busca de água. Carlos não concorda com o aumento. “É um absurdo. Se pelo menos fosse de qualidade e não faltasse, seria justo. O problema é que as pessoas pagam caro por um serviço horrível”, reclama o morador da rua Augusto Lobato.

Quem mora no bairro do Tenoné compartilha de situação semelhante. Embora a conta de água da dona de casa Sandra Moreira, de 47 anos, residente no conjunto Maria Helena Coutinho, não seja tão alta, ela garante que além de pesar no bolso, o novo aumento não é compatível com o serviço que é prestado. “Toda semana tenho que pegar água na casa dos vizinhos porque falta aqui em casa. Não dá pra lavar roupa clara porque a água que chega é suja. Por tudo isso, é um valor injusto”, detalha.

Na última segunda-feira (8), o DIÁRIO também divulgou o sofrimento que moradores do conjunto COHAB, no bairro do Maracacuera, no distrito de Icoaraci, enfrentam há 4 meses devido a falta de água.

ÓRGÃS DO CONSUMIDOR CONSIDERAM AUMENTO ABUSIVO

Embora haja o consenso de que o aumento de 35% a ser imposto pela Cosanpa na tarifa da água ao belenense é abusivo, os órgãos ligados à Defesa do Consumidor não se posicionaram sobre o assunto. A Ordem dos Advogados do Brasil -Seção Pará (OAB/PA) se disse disposta à mediação e ao diálogo, mas não deve capitanear nenhum movimento contrário ao reajuste. O Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA), até ontem, não se manifestou por parte de nenhuma promotoria, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.

ILEGAL

“Mesmo não sendo ilegal, o aumento, aplicado dessa forma, configura a abusividade, porque está muito acima de outros índices, como a inflação”, justifica Gustavo Amaral, 40, professor universitário e especialista em Defesa do Consumidor.

Membro da Comissão de Defesa do Consumidor, o advogado e doutor no assunto, Breno Mendes, 31, confirma que não há ilegalidades, mas ao mesmo tempo é enfático ao afirmar que “todo reajuste precisa ser gradual, ponderado e razoável”.

“Por não ter sido administrada de forma incorreta por tantos anos, a Cosanpa está quebrada, identificando ‘buracos’ e tentando tampar. Mas se transferir tudo de uma vez, o consumidor vai se sentir, com direito, violado em suas prerrogativas”, avalia. Para Breno a - ainda - estatal precisa de planejamento na hora de transferir seus custos e defasagens à sociedade como um todo.

SINDICALISTA DIZ QUE "VÃO ENTREGAR A COSANPA DE MÃO BEIJADA"

“Vão entregar a Cosanpa de mão beijada e com a tarifa lá em cima. ”. Esta é a definição que o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Pará, Ronaldo Romeiro Cardoso, dá ao processo de privatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que começou com a contratação por R$ 8 milhões do Consórcio Aqua, que fará o modelamento da privatização da empresa e que é formado por duas empresas (BF Capital Assessoria em Operações Financeiras Ltda e a Aecom do Brasil Ltda) parceiras da empresa Odebrecht, interessada na aquisição da Cosanpa e que financiou parte da campanha de Simão Jatene em 2014.

(Michelle Daniel e Carolina Menezes/Diário do Pará)

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