O hair design Cassius Martins, 51 anos, começou cedo no ofício que lhe traria reconhecimento. Aos 16 anos, já se via às voltas com tesouras e secadores de cabelo. “Comecei informalmente, como a maioria dos profissionais da área da beleza. Isso cria uma atmosfera empresarial forçada. Você tem de aprender a lidar com dinheiro, compras, venda de serviços e produtos, relacionamento, marketing”, conta Martins.
Em 1998, ele montou o primeiro salão em Belém, mas aprendeu, na prática, que não basta oferecer serviços de qualidade para ter sucesso no mundo empresarial. É preciso saber gerenciar o próprio negócio. Em 2007, após quase ir à falência, Cassius procurou ajuda. Fez cursos oferecidos pelo Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), pesquisou e recompôs a equipe. “Descobri que estava fazendo tudo errado”, afirma. “Hoje, me considero um empresário porque sei que uma empresa é viva e precisa ser cuidada, acima de tudo, para sobreviver”.
Para quem está começando, Cassius explica que um dos erros mais comuns ocorre na hora da definição dos preços. “Toda empresa tem um custo fixo mensal. O que sobra é lucro e nem sempre o lucro vai para o seu bolso porque a empresa precisa de capital de giro para imprevistos e para investimentos”, afirma.

O hair design Cassius Martins buscou qualificação para melhor administrar seu negócio. (Foto: divulgação)
Outro cuidado que se deve ter é na hora de ir às compras. É preciso pesquisar bons fornecedores. Buscar qualidade é sempre necessário, mas o empreendedor não pode perder de vista a relação custo benefício. “Eu nunca abri mão da qualidade, mas em alguns momentos isso me fez perder dinheiro porque eu aceitava qualquer condição de pagamento, entupia a empresa de produtos que estagnavam nas prateleiras, fora o desperdício no estoque e as parcerias desnecessárias”, admite o hair designer que hoje tem um dos salões, mais badalados da capital paraense. Rever processos, identificar gargalos e investir em gerenciamento são algumas das dicas dos especialistas para quem tem visto o lucro escorrer pelo ralo da falta de planejamento.
O gerente da Unidade de Inovação e Soluções do Sebrae, Péricles Carvalho alerta: em tempos de crise, a redução de custos pode significar a diferença entre a vida e a morte de uma empresa. “Hoje, quando se fala em redução de custos, mantendo a qualidade do produto ou serviço, temos sempre que pensar em inovação”. Por exemplo, uma empresa pode investir em pesquisa e descobrir uma nova matéria-prima, mais barata, que irá reduzir o custo de produção.

PRODUÇÃO
Foi o que fez a administradora de empresas Alessandra Forte, 49. Há 17 anos, ela decidiu apostar na venda de produtos em madeira para o mercado externo. Vendia pisos, painéis para revestimentos e decks. “Percebi que havia uma grande sobra de material que se perdia. Madeira que sobrava dos cortes ou que eram rejeitadas pela coloração, sem contar a serragem”, explica, lembrando que o descarte do material estava se tornando um grande desafio.
Foi então que Alessandra decidiu transformar o que era um problema em solução. A serragem passou a ser usada na produção de energia para as estufas usadas para secar a madeira e as sobras deram origem a uma linha de móveis voltada para o mercado interno, gerando então uma nova fonte de receita.

(Rita Soares/Diário do Pará)
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