Pode ter sido há muitos anos, mas você ainda lembra do dia em que seu pet entrou na sua vida. Seja filhote ou um pouco mais velho, aquele animalzinho foi tomando seu espaço e virando parte da família. É bem verdade que muitas vezes ele lhe deu muito trabalho, mas em nada se compara a felicidade proporcionada pelo companheiro animal. Uma amizade verdadeira para a vida toda. Infelizmente, essa vida pode ser curta demais. É duro enfrentar essa dor, as a morte do animal é uma realidade que todos terão que lidar cedo ou tarde. E esse luto pode ser uma dor difícil demais para o dono do animal. Como ter forças para enfrentar essa situação?
"É uma situação difícil, que o dono deve estar preparado para enfrentar. Adquirir um animal de estimação é saber que, anos depois, será necessário lidar com a morte dele. Isso é uma realidade", afirma a psicóloga Rita Cardoso. "Cada vez mais o animal assume um papel de grande importância na vida das pessoas. Perder um animal pode equivaler com a perda de um parente".
Mas realmente dói muito a perda do companheiro de quatro patas? "Não queria sair de casa. Emagreci, perdi a vontade de muita coisa. Senti como se tivesse perdido um parente. Meu melhor amigo. Mesmo meu trabalho foi afetado pela perda", afirmou a administradora Sônia Oliveira, dona do boxer Odin, que morreu em 2016, aos 12 anos, vítima de um câncer.
Ela afirma que o luto pela perda do companheiro animal foi pesado, mesmo que ela estivesse se preparando para enfrentar a situação há tempos. "O Odin ficou doente uma primeira vez, em 2013. Foi duro, com um tratamento caro, mas ele conseguiu sobreviver. Anos depois, o câncer voltou. Dessa vez, não teve condições", continua Sônia. "Doeu demais. Ainda dói, na verdade. Mas estamos superando, lá em casa. Era nosso xodó. Agora está em um local melhor, passando bem".
Como lidar, então, com a perda de um animal? "Cada pessoa reage de uma forma, depende da relação com o animal, tempo de convívio, e mesmo a forma da morte", afirma Rita. "Mortes em acidentes, atropelamentos ou casos similares costumam ser mais traumáticas. Se um cachorro foge durante o passeio e é atropelado, por exemplo, o dono pode se achar culpado pelo ocorrido, criando uma grande mágoa no peito. Isso pode afetar muito o indivíduo".
A psicóloga explica que o dono do animal pode tentar se preparar para o dia em que o companheiro se for. "Entender que a morte faz parte da vida, como em humanos. A morte é triste, sim, e é normal ficar mal. Mas deve-se tentar se recuperar e não deixar de viver", afirma Rita.
Ela conta que algumas atitudes podem ajudar nessa hora. No caso de animais com doenças terminais, deve-se aproveitar o tempo com seu animal, para que ele vá sem deixar nada inacabado. Realizar uma cerimônia de velório pode ajudar no momento da despedida, tanto para relembrar os bons momentos juntos quanto para criar a ideia de que a morte se concretizou, e agora é a hora de dar o passo adiante. Inclusive pode ser bom para crianças e outros animais da casa participarem da cerimônia.
"Crianças tendem a se ligar com os animais, e muitas vezes não compreendem completamente a ideia da morte. Por isso, pode ser difícil para elas lidarem com a perda do animal", afirma Rita. "Uma conversa franca, sem mentiras sobre o que ocorreu com o animal, pode ajudar a criança a conceber a situação".
Outras dicas são guardar alguns brinquedos e coleiras do animal, como recordação e memorial. Conversar com amigos sobre como se sente também é de grande ajuda. Na internet, há ainda grupos de discussão e fóruns sobre pets no qual o dono do animal pode se abrir.

É normal sentir luto pelo companheiro que se foi. Conversar sobre isso com amigos pode ajudar a superar a dor. (Foto: Divulgação)
O tratamento com o corpo também pode ser dado de diversas formas. "Prefeituras e centros de zoonones podem recolher os corpos e realizar uma cremação coletiva. Há também cemitérios particulares e empresas que cremam os animais, para que possam fazer um funeral", afirma o zootecnista Marcelo Rodrigues. "Muitas pessoas tem o hábito de enterrar o animal no quintal, mas isso não é recomendado. A decomposição do corpo pode poluir a terra e os lençóis freáticos. É um risco ainda maior para quem tem poço em casa".
O importante é saber que, depois da perda, o importante é seguir a vida, apesar da saudade. "Ainda é muito cedo para pensar em outro cachorro. Mas um dia, talvez, a gente adote um animal. Mas jamais será com o intuito de substituir o Odin. Ele vai sempre viver nos nossos corações", conclui Sônia.
O DIÁRIO e o DIÁRIO ONLINE (DOL) publicarão uma série de 12 matérias relacionadas aos animais de estimação, sempre aos domingos e quinta-feiras (DIÁRIO) e segunda e quartas (DOL), sobre alimentação, saúde, comportamento, entre outros temas relacionados ao mundo animal. O projeto tem o patrocínio da Helfine e do Help Fast Delivery.

Reportagem: Gustavo Dutra
Coordenação: Diana Verbicaro
(DOL)
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