Representantes da Anistia Internacional estarão em Belém, hoje, para lançar a campanha Jovem Negro Vivo. O evento conta com a parceria de entidades locais de direitos humanos e tem o objetivo de manter a sociedade paraense mobilizada para o tema da violência contra jovens negros do Estado, sobretudo os da capital, Belém. A Anistia Internacional é um movimento global, que realiza ações e campanhas para que os direitos humanossejam respeitados.
Segundo o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, o Brasil é o primeiro do mundo no ranking de homicídios, com 60 mil assassinatos em geral por ano. De acordo com o perfil desses homicídios, a maioria é cometida contra jovens, negros do sexo masculino e da periferia ou favelas. Os dados mostram ainda que o número de crimes contra brancos vem diminuindo, enquanto que os que acometem os negros crescem gradativamente. “O aumento da violência contra os jovens pobres e negros mostra que essa parcela da sociedade está extremamente vulnerável e que o racismo mantém um estado de indiferença social como se a vida deles valesse menos”, questiona a pesquisadora e assessora da Anistia Internacional, Renata Neder.
CHACINA
Outros dados mostram que mais de 70% dos homicídios são cometidos com uso de armas de fogo em um momento em que o Congresso Nacional discute a revogação do Estatuto do Desarmamento. Ainda, segundo o Datasus, em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, cerca de 25% desses crimes são praticados por policiais dentro ou fora do horário de trabalho.
Neder explica que nos estados das regiões Norte e Nordeste os crimes contra jovens negros são muito semelhantes aos que ocorrem no sudeste, inclusive com o suposto envolvimento de milícias. Ela lembra os recentes casos das chacinas contra jovens da periferia de Belém. Em janeiro deste ano, 33 pessoas de bairros da periferia foram assassinadas, 25 delas com características de execução, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). Em novembro de 2014, após a morte do cabo Antônio Marcos da Silva Figueiredo (Cabo Peti), 11 jovens foram assassinados em diferentes bairros da periferia.
A semelhança entre os casos foi a principal razão para a Anistia Internacional trazer a campanha para Belém depois de já ter sido lançada em outros estados brasileiros. “Além de envolver a sociedade nesse debate, queremos respostas do estado sobre a investigação e punição desses casos, assim como a garantia de mais políticas públicas para reduzir esses homicídios”, afirma Neder. O lançamento da campanha é aberta ao público e acontece às 18h30, na Universidade Estadual do Pará (Uepa).
(leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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