Secretário de estado de Segurança Pública e Defesa Social, o coronel Jeannot Jansen reconheceu que houve quebra de protocolo quando os corpos das 10 vítimas foram retirados do local da tragédia. O correto seria esperar a perícia. “O desejável é que não tivessem sido retirados. Mas as razões serão apuradas”, diz.
Na manhã de ontem, a cúpula de segurança pública do Pará, em entrevista coletiva, afirma que é preciso ter a conclusão dos inquéritos, abertos pelas Polícias Civil e Militar, para saber o que ocorreu. Ao afirmar que a retirada dos corpos deve prejudicar as investigações, Jansen destaca que a investigação engloba depoimentos das testemunhas, perícia no local das mortes, dos coletes à prova de balas e do material que foi aprendido.
ARMAS
Entre eles, as 11 armas que estavam com as vítimas - incluindo um fuzil e uma pistola”-, avaliadas pelo secretário como não sendo de poder de fogo elevado.“Um mandado de prisão, é para prisão e não para matar”, ressalta Jansen. Para o secretário, o fato de nenhum policial ter sido ferido -eles alegam que as mortes foram em legítima defesa-, não seria nada incomum, visto as questões táticas. “Depende do cenário. Todavia é um número grande de morte, que leva ao cuidado de equilíbrio para apurar as razões”, completa.
O delegado geral da Polícia Civil. Rilmar Firmino não descarta a possibilidade de excessos por parte dos policiais. Porém, afirma que apenas os resultados das investigações vão apontar o que aconteceu ali.
Polícia
- Vinte e um policiais militares e 8 civis foram afastados das suas atividades. Conforme o comandante da PM, Hilton Benigno, eles foram afastados não por suspeitas dos crimes e sim por uma resolução do Conselho Superior de Segurança Pública, que prevê que policiais envolvidos em alguma ação que resulte em lesão corporal ou morte sejam afastados. - A partir do começo da apuração, a PM tem 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para concluir o inquérito. Já a Civil, tem 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período.
QUESTIONAMENTOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), integrou missão emergencial que esteve no Pará após as mortes em Pau D’Arco. Em nota, a procuradoria fez indagações, que acredita serem respondidas no curso das investigações.
Veja algumas delas:
- Por que a Secretaria Estadual de Segurança Pública endossou tão prontamente a versão de que os policiais foram recebidos a tiros, por ocasião do cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão na fazenda Santa Lúcia, município de Pau D’Arco, e a morte das dez pessoas foi resultado de reação legítima?
- Como explicar o fato de que a polícia, sabendo da circunstância de que há alvos armados, ingressa em área de difícil acesso, pouca visibilidade e extensão de aproximadamente 2km, expondo-se a ataque imprevisto e inesperado?
- Em tais condições, de ampla vantagem para os ocupantes que estão escondidos na área, como justificar a versão da troca de tiros, em que nenhum policial é ferido e 10 pessoas são mortas?
- Por que os corpos foram removidos, adulterando a cena dos fatos? Havia dúvida sobre a morte das dez pessoas? Então, o que explica o longo período transcorrido (quase três horas) desde os disparos até a chegada ao hospital Iraci, em Redenção, e a forma como os “feridos” foram transportados, empilhados na caçamba de caminhonetes?
(Diário do Pará)
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