Tudo começou na infância. Para não ficar de fora do grupo e influenciado pelos amigos, o autônomo Cleyson Maciel, hoje com 30 anos, experimentou o cigarro pela primeira vez aos 12. De lá para cá, não conseguiu mais parar. Embora se considere um fumante consciente dos males, ele diz que parar de fumar não é simples. “É uma questão de vontade própria. Já passei alguns meses, mas sempre volto. A vontade chega e logo acendo um cigarro. Quando percebo, já fumei meia carteira no dia”, conta.
Uma das formas de combater o tabagismo foi a criação do Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado hoje, com o intuito de conscientizar a população dos prejuízos que o cigarro provoca à saúde. Segundo o oncologista José Luís de Carvalho, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), o cigarro é a causa de 70% do câncer de pulmão e tem sido o motivo da morte de 180 mil fumantes por ano no país.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) revela que 120 mil brasileiros morrem por ano vítimas do tabagismo. Essa realidade é provocada pelo cigarro, que além de possuir a nicotina – responsável pela dependência –, possui 4.500 substâncias tóxicas, sendo 43 comprovadamente cancerígenas. Ainda segundo o INCA, em 2012, a estimativa mundial apontou incidência de 1,82 milhão de casos novos de câncer de pulmão. Cerca de 90% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados do tabaco. “Há duas formas de desenvolver o câncer de pulmão: o promotor que é o fator genético e o ativador que é o fumo”, explica José Luís de Carvalho, oncologista.
Segundo ele, o tratamento é difícil, pois na maioria dos casos, os pacientes descobrem a doença em estágio avançado, o que diminui a probabilidade de chances de recuperação.
CAMPANHAS
Por outro lado, o vice-presidente da SBC afirma que campanhas de conscientização contra o tabagismo têm surtido efeito. “Até 20 anos atrás, o número de fumantes era bem maior. Hoje, em alguns lugares é proibido fumar, e isso melhorou a saúde da população. Mas não podemos esmorecer principalmente quanto aos jovens”, avalia.
Se o oncologista diz que o alvo das campanhas é, principalmente a juventude, ele justifica devido a dificuldade de conscientizar os mais idosos fumantes a largar o vício. Um exemplo disso é o vendedor José Cordeiro, 57, fumante há 40 anos. Ele já tentou largar o cigarro algumas vezes, mas não conseguiu. Hoje, consome pelo menos uma carteira por dia. “Sou consciente dos problemas que o cigarro pode me trazer. Antes de aparecer doenças, eu largo”, brinca.
(Michele Daniel/Diário do Pará)
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