
Quando Ana Paula Massolin (foto) completou 1 ano de casada, estava no auge de sua vida profissional e fazia tratamento para ficar grávida. Neste momento, ela teve seus planos de vida quase anulados. Aos 34 anos, a estilista, que hoje tem 39, foi diagnosticada com câncer no intestino. O tumor no colo retal já estava com 6 centímetros. A mulher meiga, de fala mansa, não deixou que o medo a paralisasse. Com apoio da família, médicos e amigos, ela se tornou uma leoa contra as 4 cirurgias, quimioterapia e radioterapia. "Essa doença assusta.Te bloqueia. Mas não é o fim", afirmou a paciente, que, durante o tratamento, descobriu outros tumores. "Deu metástase. Meu pulmão ficou tomado. Hoje estou com a saúde estável. Vivendo a cada 3 meses", finaliza.
A doença de Ana Paula é a segunda causa de morte do globo. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o mal até 2030 deve aumentar sua incidência em 70%. Os desafios da enfermidade foi debatido no Workshop Latino-americano de Oncologia para Imprensa, promovido pela farmacêutica Bayer, no último mês, em São Paulo. A programação reuniu 70 jornalistas brasileiros e de outros países. Ocorrendo há 6 anos, é a primeira vez que o Brasil sedia o evento. Profissionais de saúde apresentaram também o avanço da ciência para produzir medicamentos contra a anomalia celular. A medicina, hoje, já reconhece 100 tipos de câncer.

Workshop Latino-americano de Oncologia para Imprensa reuniu 70 jornalistas em São Paulo (Foto: Marcelo Ribeiro/divulgação)
O oncologista clínico Otávio Calrk afirma que um dos desafios para o câncer é o acesso à saúde de qualidade, tempo de espera no tratamento e o diagnóstico tardio. Cerca de 150 milhões de brasileiros não possuem planos de assistência médica. Apenas 20 milhões de pessoas podem pagar pelo serviço no País. Os fatores que causam o câncer ainda não foram totalmente descobertos pela medicina. No entanto, acredita- se na influência biológica e ambiental. "O estilo de vida desencadeia o câncer. A obesidade, o estresse e o consumo de comidas processadas são indícios", destaca.
O especialista lembra que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Pará e Maranhão são os Estados que mais registram casos de câncer de pênis, tipo incomum no restante do País. "O motivo é que você tem uma população pobre, com pouco acesso a serviços médicos preventivos", argumenta o médico. Ele também observa que os centros de referências são poucos. "Os pacientes viajam muito longe. Não há tratamento especializado em todas as regiões", lembra.
Futuro
Para o oncologista Antônio Buzaid, diretor do Centro de Oncologia da Beneficiente Portuguesa de São Paulo, o futuro do tratamento do câncer é a imuno-oncologia ."Em 2027, este será um dos principais tratamentos do mundo", garante. A terapia estimula o sistema imunológico a atacar o câncer. O tratamento foi testado apenas em adultos. O médico também ressalta que a terapia alvo é um tratamento inovador. "Neste, as drogas atuam nas células cancerígenas, assim, não causam efeitos colaterais", finaliza.
Avanço
Na luta contra o câncer, a Bayer já disponibiliza no mercado três medicamentos para combater a doença. Eles já foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estão disponíveis no mercado. Já o Xofigo, para câncer de próstata, aguarda a preconização da Câmara de Regulação de Mercado de Medicamento (CMED), do Governo Federal. Para Eduardo Magallanes, vice diretor da empresa na América Latina, a missão da companhia é viver para inovar. "Usamos todos os recursos da ciência para proporcionar uma vida melhor", destaca.
O grande desafio da farmacêutica é trabalhar com inovações para investigar o câncer. Conforme a diretora médica da empresa, Sandra Abrahão, a sinalização oncológica ajuda a entender o tipo de cada câncer. "Através do conhecimento de cada patologia, é possível fazer tratamentos para combate as células cancerígenas", explica. Assim como Buzaid, a médica também ressalta que entre as inovações a imuno-oncologia é a grande aposta, pois melhora a capacidade do sistema imunológico, além disso, há um combinado anticorpos e medicamentos, como terapias-alvos contra o câncer.
Em números
- No Pará, o câncer levou a morte 40,73% de cada 100 habitantes do sexo masculino e 42, 65% de cada 100 mil mulheres, conforme a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa).
- Estima-se o aumento de 70% na incidência de câncer para 2030.
Onde tratar: o Pará dispõe de três instituições que atendem a pacientes com câncer: Hospital Ophir Loyola, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Universitário João de Barros Barreto, e o Hospital Regional do Baixo Amazonas. Funcionam também a Unacon do Hospital Regional de Tucuruí e o Hospital Oncológico Infantil.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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