O primeiro despacho do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, empossado na última quarta-feira (31), foi para que a Polícia Federal comece a atuar na chacina ocorrida na Fazenda Santa Lúcia no município de Pau D’Arco, sudeste paraense e que terminou com o assassinato de 10 pessoas do movimento Liga dos Camponeses Pobres do Pará.
Na determinação, o ministro reconhece que houve “violação a direitos humanos no caso do assassinato de dez trabalhadores rurais no dia 24 de maio”. De acordo com informações da assessoria de comunicação da Polícia Federal do Pará, o pedido do Ministério da Justiça já foi recebido e a corporação ainda irá se pronunciar sobre a forma de atuação na investigação.
O despacho é uma resposta a um pedido do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos, para que a Polícia Federal auxilia nas investigações do caso. O pedido foi antecipado em entrevista ao DIÁRIO na última segunda-feira (29).
COMPROMETIDOS
Na entrevista, o presidente do Conselho Federal de Direitos Humanos, Darci Frigo, afirma que considera a possibilidade de o inquérito policial estar comprometido desde que os corpos foram removidos da cena do crime indevidamente. “O Conselho tem esta possibilidade legal de solicitar que a PF acompanhe as investigações”, afirmou Darci Frigo.
Darci disse que tem respeito pela investigação que está sendo feita pelo Ministério Público do Estado do Pará, mas que os inquéritos policiais estão comprometidos. Para o conselheiro, “não há isenção, neste momento, tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar para atuar no caso”.
“A praxe da Polícia Federal de fazer um inquérito paralelo, realizando perícias e tomando depoimentos, vai contribuir para que tenhamos uma coleta da forma mais ampla possível, antes que isso se comprometa”, reitera.
“Provavelmente será efetuada uma nova perícia nos corpos e vai ser necessária a reconstituição dos fatos”, disse Darci.
(Mauro Neto/Diário do Pará)
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