Câncer: a palavra por si só espanta. Não é para menos: o Brasil tem acompanhado o crescimento da doença, que, quando não diagnosticada precocemente e tratada, é letal. O mal é a segunda causa de morte no mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). A enfermidade que leva ao aumento incontrolável de células anormais no organismo, até 2030, deve aumentar sua incidência em 70%, no planeta. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), nas regiões brasileiras, as taxas relacionadas ao mal são diferentes a cada tipo específico de tumor. A medicina já reconhece cerca de 100 tipos de câncer.
O oncologista Otávio Clark afirma que os desafios do câncer no Brasil são: acesso à saúde de qualidade, tempo de espera no tratamento e o diagnóstico tardio. Cerca de 150 milhões de brasileiros não possuem planos de assistência médica. O panorama foi apresentado no Workshop Latino-americano de Oncologia para Imprensa, promovido pela farmacêutica Bayer, em São Paulo, no mês passado.
Os fatores que causam o mal ainda não foram totalmente descobertos pela medicina. No entanto, acredita- se na influência biológica e ambiental. “O estilo de vida desencadeia o câncer. A obesidade, o estresse e o consumo de comidas processadas e industrializadas são alguns dos indícios”, destaca Clark.
CÂNCER DE PÊNIS
O doutor em ciências médicas lembra que, conforme o Inca, o Pará e o Maranhão são os Estados que mais registram casos de câncer de pênis, tipo incomum no restante do País. “O motivo é que você tem uma população pobre, com pouco acesso aos serviços médicos preventivos”, explica. Clark observa que há poucos centros de referência, dificultando o acesso ao atendimento. “Os pacientes viajam de muito longe. Não há tratamento especializado em todas as regiões de um Estado gigantesco”, observa.

CONHEÇA OS TIPOS DE CÂNCER MAIS COMUNS NO PARÁ
No Pará, a incidência também muda de acordo com a idade e sexo. Em termos de incidência, o Inca atestou que, no Estado, o câncer foi diagnosticado em, aproximadamente, 115,66 pacientes, de cada 100 mil habitantes do sexo masculino. A cada 100 mil mulheres, foram diagnosticados 112,58 casos de câncer. Os dados são de 2016. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) aponta que, em crianças, as leucemias e os linfomas são os tipos mais comuns. Já em mulheres, os tumores no colo do útero, mama e no ovário são os mais recorrentes.
O câncer de próstata lidera o ranking entre os homens, seguido do câncer de estômago, brônquios e pulmões. Os dados correspondem a pacientes atendidos pelo SUS.

APESAR DE GRAVE, DOENÇA NÃO É SENTENÇA DE MORTE
“Chorei, até me desesperei no início, mas hoje, vejo que o câncer não é o fim”. O depoimento é da estilista Ana Paula Massolin (foto) que, aos 34 anos, descobriu que estava com câncer no intestino, após um ano de casada, quando fazia tratamento para engravidar.
A notícia caiu como uma bomba, explodiu em meio ao um território cheio de amor. “A fé em Deus, o apoio dos amigos, família e, claro, dos médicos, te fazem vencer”, lembra. O primeiro tumor descoberto estava no colo retal, já com 6 centímetros, no entanto, a doença não parou por aí. O câncer se espalhou e foi parar no pulmão.
A experiência das 4 cirurgias, além de sessões de quimioterapia e radioterapia, fizeram com que ela criasse força para ajudar outras pessoas pelas redes sociais. Ana Paula passou a contar sua história e compartilhar experiências do tratamento com pacientes de câncer do mundo todo.
“Quando estamos com a doença, temos de ter informação. Ela e a fé nos ajudam a não desistir de viver”, comenta, emocionada. Hoje, aos 39 anos, a estilista, aos poucos, tem retomado sua rotina. Ela já voltou a fazer planos para engravidar e permanece com a saúde estável, sendo regularmente monitorada a cada 3 meses, pelos médicos e exames.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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