Primeira entre as cidades com mais de 100 mil habitantes no quesito homicídios e mortes violentas sem causas determinadas, segundo o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Altamira deve ganhar uma força tarefa orquestrada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) ainda durante o mês de junho. O anúncio foi feito durante uma reunião em que o comandante geral da Polícia Militar, Hilton Benigno de Souza, recebeu dez vereadores do município na sede da Segup para tratar sobre o assunto.
A reunião, marcada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Márcio Miranda (DEM), que não pôde comparecer, teve a presença do presidente da Câmara dos Vereadores de Altamira, Loredan Melo (PMDB). “Nos prometeram motopatrulhamento, aumento de efetivo, e isso não ocorreu até agora. Estamos vivenciando os reflexos de Belo Monte, com o aumento do tráfico e da violência. O Estado precisa ter responsabilidade agora, na hora da repressão, e também na prevenção”, avaliou.
“Na verdade, viemos pedir socorro. Não aguentamos mais enganação e tapinhas nas costas, precisamos de dias melhores, tirar essa mancha de Altamira. A Norte Energia precisa cumprir o seu papel, e o Estado precisa implementar programas e políticas públicas”, declarou o vereador “Marquinhos” Nascimento, do PDT.
PREOCUPAÇÃO
Assis Cunha, vereador pelo PSB, acredita que a força tarefa, agora, terá efeitos positivos, mas engrossa o coro de que não é suficiente. “Precisa de continuidade. Se não houver, só a repressão não resolverá”, avaliou.
O Cel. Marcos Rocha, diretor gerais de operações da PM-PA, informou que apesar de a corporação ter alguns questionamentos em relação aos dados do Ipea, a reunião de ontem foi para chegar a um consenso em relação às melhores medidas a serem tomadas agora no município para melhorar as condições de segurança da população. “A sociedade aos poucos vem se envolvendo com a causa. As medidas preventivas não podem ser só de Segurança Pública, deve haver uma prevenção social também”.
ESTUDOS
Pesquisadores do Ipea dizem que o crescimento desordenado a partir da implementação do projeto Belo Monte impulsionou a violência - sua população passou de pouco mais de 77 mil habitantes no ano 2000 para 109.938 habitantes, segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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