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"Não nos dão ouvidos", diz PM sobre Governo

Talvez o tom vermelho que está presente na maior parte da bandeira do Pará nunca tenha sido tão presente em capas de jornais, imagens em aplicativos de mensagens e, principalmente, nas ruas, como nestes primeiros meses de 2017. Exemplo disso é o sangue de

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Talvez o tom vermelho que está presente na maior parte da bandeira do Pará nunca tenha sido tão presente em capas de jornais, imagens em aplicativos de mensagens e, principalmente, nas ruas, como nestes primeiros meses de 2017. Exemplo disso é o sangue de policiais militares derramado nas ruas após serem assassinados. Só neste ano, 19 PM's foram mortos, além de dois bombeiros e um policial civil.

Na tarde de ontem (22), por exemplo, o PM reformado Rosivaldo Rodrigues Barbosa, 55 anos, foi assassinado a tiros dentro de sua casa. Seu corpo foi sepultado na manhã desta sexta-feira (23), em um cemitério particular da região metropolitana de Belém.

Diante de mais um caso de violência, que evidencia mais ainda a falta de controle do panorama de violência que toma conta do Estado, o cabo Manoel campelo, da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares do Estado do Pará (ACSPMBM), informou que na próxima semana a entidade tentará, novamente, reunir com o Governador do Estado, para cobrar esclarecimentos sobre tais casos de violência e também pedir providências.

"Vamos protocolocar um documento, vamos em busca de respostas sobre estes casos e também cobrar medidas", explicou. Ainda de acordo com o militar, "o Governo não está dando ouvidos" aos pedidos da categoria. "Parece que 'não estão nem aí', que não faz diferença se tanta gente está morrendo", desabafou.

OAB vai protocolar ação pedindo melhorias para agentes de segurança
Em entrevista ao DOL, na tarde desta sexta-feira (23), o presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-PA, Rodrigo Godinho, detalhou que a OAB irá protocolar, no segundo semestre, uma ação civil pública pedindo melhores condições de trabalho para os agentes de segurança pública. “A OAB está tentando uma valorização dos policiais de forma geral, porque o que a gente vê hoje é um grande desrespeito com a categoria e isso está aumentando cada vez a violência. Estamos vendo as condições de trabalho, a questão de salários atrasados para que sejam pagos e até a questão do aumento para que eles possam morar em locais melhores, pois muitas vezes esses policiais moram junto com os criminosos e com isso eles não podem nem sair fardados de casa”, afirma.
Rodrigo Godinho detalha ainda que a OAB-PA vê a questão da insegurança com muito cuidado, pois é uma crise que alastrou no país todo, não é só uma situação local.

Panorama amplo e preocupante

Outros dados mostram que a situação é bem mais ampla e complexa. O triste retrato da violência no Estado reflete diretamente o descaso de ações efetivas de segurança pública a favor da população.

O Pará está entre os cinco Estados mais violentos do Brasil e Altamira é apontada como a mais violenta entre as 304 cidades com mais de 100 mil habitantes. Com o total de 116 homicídios em 2015, o que representa uma taxa de 107 por 100 mil habitantes, Altamira supera em mais de três vezes a média nacional, que é de 28,9 homicídios por 100 mil habitantes.

Há quase um mês, um confronto entre supostos invasores de terra e policiais militares e civis terminou em tragégia, com 10 mortos, na fazenda chamada Santa Lúcia, localizada no município de Pau D'Arco, distante cerca de 50 km de Redenção, no sudeste paraense.

Um dos casos de violência mais recentes na capital paraense foi a chacina na Rua Nova Segunda, no bairro do Condor, em Belém, entre as ruas Tupinambás e Apinages. Ao menos 5 mortos e 15 pessoas feridas, incluindo duas crianças, foi o saldo de uma noite de terror que começou por volta das 22h da última terça-feira (6).

DOL quer saber: Você é a favor da vinda da Força Nacional para ajudar no combate da onda de violência no Pará?

(DOL)

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