O microempreendedorismo tem crescido no Brasil como uma alternativa à crise econômica. Segundo uma pesquisa da fornecedora de dados Unitfour, o número de empresas abertas em 2016 cresceu 20% em comparação com o ano de 2015. A região Norte foi a que registrou a maior variação de crescimento, com 42%. O Raio-X de hoje mostra como no bairro do Guamá, em Belém, os pequenos negócios criam uma relação de proximidade e confiança entre a vizinhança.

Antônio Silva e o irmão Severino montaram um mercantil com diversas opções. "O negócio é da população, e não só do comerciante". (Foto: Mauro Ângel/Díário do Pará)
Deusarina de Jesus, 57 anos, por exemplo, trabalhou por muito tempo como empregada doméstica, mas com o passar da idade decidiu mudar de profissão. A mãe e os irmãos já tinham tido um ponto de venda de açaí e ela resolveu reerguer o negócio. O estabelecimento fica na parte de frente da casa dela, na passagem Modelo, entre Fé em Deus e Caraparu, e é conhecido por todos nas redondezas como “Açaí da Deusa”. Ela acorda todos os dias às 6h, recebe a entrega do fruto e fica batendo e vendendo o líquido das 9h às 22h30. “Procuro vender um açaí de qualidade para manter a confiança e a procura da clientela, por isso invisto em melhorias e sou cadastrada no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), conta Deusarina.

Logo adiante, na passagem Modelo com a Fé em Deus, os irmãos Antônio Silva, 49, e Severino Silva, 33, decidiram investir no próprio negócio e montaram o Mercantil Jamaica recentemente. Antônio atuou desde os 18 anos com construção civil, mas, com a crise, os trabalhos pararam. Foi então que resolveram fazer as vendas. O espaço oferece uma variedade de opções, desde o setor de limpeza a produtos alimentícios. Antônio diz que, nesse início de negócio, eles se preocupam em avaliar o comportamento da clientela para poder crescer, observando quais produtos mais vendem e o que mais os consumidores esperam ver no local. “É importante perceber que o negócio é da população e não só do comerciante. A comunidade aqui é que faz a diferença e por isso é preciso se aproximar”, aconselha.

André Cabral montu uma salão no pátio de casa. "O pessoal do bairro colabora para o meu crescimento". (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)
Na passagem Fé em Deus, esquina com a passagem Modelo, André Cabral, 33 anos, há 2 meses montou um salão no pátio de casa. Ele atende mulheres, homens e crianças e faz um preço camarada para a população. “O pessoal do bairro colabora bastante para o meu crescimento na profissão”, afirma. André aproveita ainda para vender outros produtos em casa, como frutas e verduras, mas nem precisa fazer propaganda, pois o boca a boca já divulga o serviço.

(Alice Martins Morais/Diário do Pará)
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