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Desabamento foi só mais um problema no Mercado

Durante a forte chuva que caiu em Belém na tarde da última quarta-feira (28), parte do teto de vidro do Mercado de São Brás caiu, em meio ao horário de funcionamento, por volta das 16h. Enquanto isso, no aeroporto da capital, o prefeito Zenaldo Coutinho v

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Durante a forte chuva que caiu em Belém na tarde da última quarta-feira (28), parte do teto de vidro do Mercado de São Brás caiu, em meio ao horário de funcionamento, por volta das 16h. Enquanto isso, no aeroporto da capital, o prefeito Zenaldo Coutinho viajava para a França, onde participa de um evento. Para os feirantes, o desabamento foi uma evidência dos problemas pelos quais a construção histórica passa atualmente. Na ocasião, uma pessoa foi atingida levemente com os destroços, segundo testemunhas.

A área atingida foi a de vendas de móveis de madeira. Ali, já era comum cair muita água quando chovia, pois o teto vinha se deteriorando cada vez mais. Então, os feirantes deixam por costume toda mobília a coberta por papelões e panos de proteção e quando as gotas começam a cair, todos saem de lá para não se molhar. Graças a isso, não havia ninguém no local na hora do acidente e poucos móveis foram danificados. Apenas um sapateiro que estava ali próximo teria sido atingido com pedaços de vidros e teria sofrido cortes leves.

Na hora da ventania, as placas de revestimento de metal do mercado se soltaram e voaram até atingir o telhado e quebrar a vidraça. “A culpa não é da natureza. Já vínhamos denunciando que uma hora isso ia acontecer porque o prédio está completamente abandonado”, afirma Rosana Martins, presidente da Comissão de Feirantes do Mercado de São Brás. Segundo ela, os trabalhadores já encaminharam diversos ofícios solicitando manutenção, mas nunca tiveram sequer uma resposta. Ontem de manhã, o chão ainda estava muito molhado e havia diversos destroços.

Servidores da prefeitura só aparecem após o acidente. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

ALERTA

Apesar do risco, quem não sabia do ocorrido passava normalmente por ali, porque não tinha alerta de segurança ou faixas de limite de área. Como barreira, os próprios feirantes colocaram algumas mobílias no caminho para evitar mais acidentes.

Os vendedores dos móveis agora estão sem local fixo para trabalhar e têm de expor a mobília na calçada, atrás do mercado. “Estamos completamente esquecidos pela Prefeitura e essa situação prejudica muito nossas vendas”, denuncia Almir Gomes, 44, um dos feirantes do segmento.

Para Rosana, essa é uma situação lamentável não somente por indicar a insegurança, mas também pela desvalorização do patrimônio histórico. “Se continuar nesse caminho, não vamos ter como mostrar para filhos e netos o quão bonito e importante foi o mercado”, declara.

Conceição Fonseca, 90, trabalha no mercado há 40 anos e lembra das épocas antigas com pesar. “Só piorou com o tempo. Quando tem acidente, o pessoal da prefeitura até vem, mas depois esquece e não conserta nada”, diz, desacreditada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informa que levou um empresa de engenharia ao local para avaliar os danos e os reparos necessários e que iniciará amanhã os serviços para recuperar emergencialmente a parte do telhado danificada. A Defesa Civil isolou a área por medida de segurança e acompanha os serviços.

Sobre reformas, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) diz que já enviou as demandas necessárias à Seurb, que providencia os procedimentos para elaboração e execução do projeto de restauro do mercado. Segundo a prefeitura, a reforma depende de disponibilidade orçamentária. Entre as melhorias previstas para revitalização do espaço, estão inclusas a recuperação completa do telhado, sistema elétrico e hidráulico e a fachada do prédio.

Pedaços de vidro atingiram um dos trabalhadores. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

"FOI UMA CORRERIA, GRITARIA", RELATA FEIRANTE

Roberto Mourão, 63, conserta panelas há 25 anos no Mercado, em um ponto bem próximo ao corredor dos móveis, e relata que na hora do acidente o desespero tomou conta no local. “Pensávamos que o mercado estava desabando e foi uma correria, uma gritaria”, relata. De acordo com ele, os comerciantes vivem sob sensação de insegurança e há prejuízo nos negócios. “É um ponto turístico, mas só quem vem aqui hoje é quem mora nas redondezas”, aponta.

Além da queda do teto, o mercado sofre atualmente com muita infiltração, problemas na instalação elétrica, rachaduras nas paredes, janelas quebradas, evidente falta de revitalização na fachada, entre outras complicações. Para a pedagoga Cléo Silva, 47, que não passava ali há pelo menos um ano, a impressão é de abandono total. “Lamento muito, porque a construçãoem si tem ótima

estrutura e localização, mas falta cuidadocom o Mercado”, diz.

HISTÓRIA

O Mercado de São Brás é considerado uma das construções históricas mais importantes para a capital do Estado.

É herança da época da extração de borracha na Amazônia e completou 106 anos em 22 de maio deste ano.

(Alice Martins Morais/Diário do Pará)

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