A inadimplência no Brasil cresceu bastante no primeiro semestre de 2017, de acordo com os dados divulgados pelo Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. São 61 milhões de brasileiros com as dívidas em atraso, o maior número desde 2012. Desses, 900 mil entraram no cadastro de devedores apenas no mês de maio. No mesmo mês, ano passado, a lista contava com 59,5 milhões de pessoas.
Segundo o Serasa, o desemprego e a recessão econômica seriam os principais fatores do alto índice. O economista Edson Roffé argumenta que a origem do problema é complexa. O primeiro que o especialista cita são as altas taxas de juros que são praticadas no Brasil, sobretudo no cartão de crédito e no cheque especial. “Cerca de 30% desses inadimplentes são casos de dívidas com cartão e cheque especial, não é mera coincidência”, explica. De acordo com Roffé, há casos em que a taxa de juros chega a 300% ao ano.
PRIORIDADES
Outros pontos levantados pelo economista são o desemprego, a inflação e o crédito consignado. “Com uma população de 14 milhões de desempregados, não poderia ser diferente”, ele afirma. Roffé diz que, sem emprego, o chefe de família passa a priorizar necessidades mais urgentes, como alimentação e transporte, deixando as dívidas para o fim da lista. “Isso abala as finanças da família inteira. A maior parte das dívidas são com bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos, roupas, calçados, etc.”, ele acrescenta. As dívidas com financiamento de veículos e imóveis também se destacam.
Sobre o crédito consignado, Roffé acredita que ele foi um modelo de política econômica que estimulou a população a se endividar. “É um crédito fácil, mas não barato”, critica. Para ele, isso, combinado a questões culturais de como o brasileiro administra suas contas, não teve um bom resultado. “O brasileiro tem o mau hábito de primeiro comprar e só depois pensar em como pagar. Não tem planejamento”, esclarece. Além disso, há uma tendência de o consumidor em levar em conta apenas o valor da prestação, e não das taxas de juros, prejudicando sua visão de gastos.

(Diário do Pará)
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