Quase a metade da população (46%) das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil já foi vítima de furto, assalto ou agressão nos últimos meses. Em função disso, as pessoas mudaram seus hábitos na tentativa de preservar a segurança pessoal e da família. As conclusões são da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Segurança Pública, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que revela que 46 a cada cem famílias do Norte e do Centro-Oeste tiveram uma vítima de furto, assalto ou agressão. Trata-se do maior percentual entre as regiões brasileiras.
Os resultados só não são piores porque a pesquisa realizada em dezembro de 2016 não capta a chacina ocorria em maio deste ano, na fazenda Santa Lúcia, em Pau d’Arco, no Pará, onde dez posseiros foram assassinados, e tampouco considera as rebeliões em presídios, no início deste ano, onde cerca de 100 pessoas foram mortas na região Norte. “Temos um sistema de segurança pública em estado crítico”, afirma Assis da Costa Oliveira, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em assuntos de cidadania e justiça social.
O especialista lamenta a inexistência de uma agenda prioritária de políticas públicas estaduais para a prevenção da criminalidade. O professor da UFPA critica, ainda, a falta de integração entre áreas de segurança pública, assistência social e educação, e aponta para “o alto índice de criminalidade do Estado do Pará, no qual menos de 10% dos assassinatos no campo são punidos”.
CAOS NO PARÁ
A pesquisa da CNI vai na mesma direção do Atlas da Violência 2015, do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), que aponta o Pará como o quinto Estado mais violento do país em 2015, mantendo a trajetória crescente de criminalidade e violência também em 2016.O estudo da CNI abrange todo o país e constata que a piora na avaliação da segurança pública é notável em todo o Brasil, com “crescimento significativo de 22 pontos percentuais dos que avaliam a segurança como péssima, na comparação com o levantamento anterior, realizado em 2011”, observa a pesquisadora da CNI, Maria Carolina Marques.Grande parte da população das duas regiões (40%) afirma ter presenciado alguém ser agredido nos últimos doze meses antes da pesquisa, enquanto 22% presenciaram crimes de ódio e 12%, crimes de assassinato.
Na expectativa de evitar a violência, muitos fizeram modificações no seu dia a dia, mudando a maneira de se vestir (30% dos entrevistados) para reduzir o riscos de assalto e assédio, e alterando trajetos entre a casa, o trabalho ou a escola (36%).Os entrevistados do Norte e Centro-Oeste acreditam que, para reduzir a criminalidade, é preciso impor uma política de tolerância zero (81%) e que penas mais rigorosas reduzem a criminalidade (73%).
A pesquisa também indagou sobre a relação entre criminalidade e drogas e constatou que 30% dos habitantes das duas regiões acreditam que a legalização da venda e do uso da maconha reduzirá a criminalidade. Além disso, 51% dos moradores entendem que o uso de drogas é uma questão de saúde pública, não de polícia.
76%
É o número aproximado de habitantes das duas regiões que aumentaram o cuidado ao sair e entrar de casa, trabalho ou escola. Outros 63% evitam sair à noite e 56% deixaram de circular por algumas ruas ou bairros da cidade.
4.196 casos
Do total de morte criminal no Pará, no ano passado, 3.639 foram homicídios, 280 óbitos decorrentes de intervenção policial, 225 latrocínios e 52 lesões corporais seguidas de morte, conforme dados da própria Secretaria estadual de Segurança Pública.
PARA ENTENDER
AVALIAÇÃO NEGATIVA
- Dos entrevistados do Norte e Centro-Oeste, 48% avaliam a segurança pública do País como péssima. Também chega a 48% o total de habitantes que alega ter aumentado os cuidados com segurança pessoal e da própria família.
(Livia Ferrari/Diário do Pará)
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