Nem tudo no distrito de Mosqueiro tem sido banho de rio, sol e badalação nestas férias escolares. A erosão na orla e o lixo espalhado pelas ruas chamam a atenção de muita gente que visita a Bucólica. Os problemas já são antigos. No domingo (16), a praia do Farol estava lotada de veranistas, enquanto que na Praia Grande os comerciantes tentavam fazer o que podiam para atrair consumidores. Isso porque a erosão que já destruiu trecho da avenida Beira Mar – e ameaça derrubar uma residência –, afastou os veranistas da Praia Grande.
Márcio Costa, 42 anos, tem uma barraca perto de um dos pontos mais críticos. Anteontem, ele contava nos dedos a quantidade de mesas que tinha atendido no fim de semana: duas somente. “O problema aqui da erosão já virou novela. Ninguém quer vir para cá e a gente fica abandonado pelo poder público”, lamentou. O comerciante ainda aposta nos próximos fins de semana para conseguir um faturamento maior. “Com a chegada do verão, eu contratei 2 garçons a mais. Mas estou preocupado de não conseguir juntar nem o que devo pagar para eles”, disse.
SOLIDARIEDADE
O autônomo Antônio Souza, 50, esteve na barraca de Márcio porque disse que o conhece e esteve lá para ajudar o comércio do amigo. “Eu não sei o porquê de o poder público ter deixado esse problema chegar a esse ponto. Algo precisa ser feito porque os moradores daqui estão sofrendo prejuízos irreparáveis”, frisou Souza.
A erosão na Beira Mar, no trecho da Praia Grande, começou a se formar em maio do ano passado. Apenas umas muretas de concreto foram colocadas pela Prefeitura de Belém para isolar a área. No entanto, nenhum outro tipo de sinalização foi colocado para indicar o problema. Sem sinalização também está a cratera que se formou no calçadão da orla do Murubira.
No local, também não há sinalização que indique os riscos. Em março passado, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), acompanhado do senador Jader Barbalho (PMDB), se reuniu com o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), para assinar termo que disponibiliza cerca de R$ 27 milhões em recursos para as obras de recuperação da orla de Mosqueiro. A parceria não exigirá contrapartida por parte da administração municipal.
Ponte está sob risco de queda desde o ano passado, em uma rua da ilha
A ponte na rua Variante, erguida sobre o Rio Murubira, começou a ceder no ano passado. Porém, apenas muretas de concreto foram colocadas com a intenção de fazer com que os carros passem por ali em baixa velocidade e usem apenas uma faixa da via. “Do jeito que está, a qualquer momento pode cair. Ônibus e vans já não passam mais por aqui”, disse Socorro de Lima, 47, que mora próximo da ponte.
A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), disse que já realizou o processo licitatório para contratação da empresa que executará as obras de contenção da erosão em várias praias de Mosqueiro. Sobre a Ponte da Variante, a PMB informou que já estão previstas obras para recuperação da estrutura, mas não deu prazos.
(Denilson d'Almeida/Diário do Pará)
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