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Portal da Amazônia sofre com a falta de segurança

O universitário Denilson Prata, de 36 anos, é paraense, mas mora no Rio de Janeiro há aproximadamente 20 anos. Aproveitou a realização de Congresso de Letras para rever os familiares e visitar Belém, cidade onde nasceu. No entanto, ao comentar com a famíl

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O universitário Denilson Prata, de 36 anos, é paraense, mas mora no Rio de Janeiro há aproximadamente 20 anos. Aproveitou a realização de Congresso de Letras para rever os familiares e visitar Belém, cidade onde nasceu. No entanto, ao comentar com a família que ia passear no Portal da Amazônia, recebeu o seguinte conselho: “Não leve o celular e nem muito dinheiro na carteira”, disse o rapaz. O espaço, que compreende um pequeno trecho da orla do Rio Guamá, no bairro do Jurunas, em Belém, é um dos melhores espaços de esportes urbanos, atividades ao ar livre e lazer que a cidade oferece - tanto para quem moram na capital paraense quanto para quem está de passagem por aqui. Mas frequentar o local exige cuidados e atenção devido a constantes assaltos que acontecem por ali.

“Já existe uma cultura do medo entre as pessoas e têm muitos fatores que contribui para isso”, comentou Denilson, que aparentemente estava tranquilo, enquanto conversava com uma amiga e tocava violão. Em contrapartida, esta mesma amiga, a estudante Triscila Santana, de 26 anos, só sentiu segura quando uma guarnição da Polícia Militar estacionou uma unidade móvel próximo ao local onde os 2 estavam sentados e lá montaram um posto para rondas ostensivas.

“Eu me sinto insegura!”, afirmou a estudante. “Já tenho um currículo de ter sofrido 7 assaltos e posso dizer com firmeza que não é fácil se recuperar de um trauma de ser abordado por um assaltante que rouba as suas coisas e te ameaça”, resumiu Triscila, que tomava uma água de coco enquanto conversa com Denilson. Durante o tempo em conversou com a reportagem demonstrou estar em alerta a qualquer movimentação de pessoas indo em sua direção ou próximo a ela.

Aos poucos, com a aproximação do por do sol, chegam ao Portal da Amazônia pessoas de várias idades para praticar esporte ou simplesmente passear. O local tem aproximadamente 3 quilômetros de extensão e, aparentemente, está dividida em uma área insegura e outra “não tão insegura”, como denominam os frequentadores do local. A “não tão insegura” fica entre a rotatória da Bernardo Sayão e a quadra de esportes no portal.

A insegura seria a área já próxima as ruas dos Tamoios e Mundurucus. É neste perímetro onde mais se registra os assaltos, que tem como principais vítimas os “descuidistas” – como são chamadas as pessoas que acabam ficando com os celulares e as bolsas expostos por muito tempo. Isto chama a atenção dos assaltantes.

Durante o tempo que a reportagem esteve no Portal, observamos a presença de policiais militares e Guardas Municipais fazendo ronda pelo espaço. Todavia, comerciantes que pediram para não ser identificados dizem que os assaltos acontecem durante os intervalos das rondas das viaturas. “O carro da polícia passa por aqui devagar e enquanto dá a volta os ladrões agem”, disse uma vendedora de chope, cheia de receios de conversar com a reportagem. “Tenho medo de falar sobre isso porque moro aqui perto e tenho a minha venda aqui (no Portal)”, disse a mulher.

(Foto: Marco Santos/Diário do Pará)

E tome “toque de recolher”

Questionada se observa que o fluxo de frequentadores do portal diminuiu, a vendedora comentou que neste mês de férias percebe que a movimentação aumentou. “Mas as pessoas vem cedo e vão embora cedo, porque ficam com medo quando fica tarde”, frisou a vendedora.A espécie de horário seguro para os passeios também foi citada por 2 homens que corriam pelo portal para se exercitar. Eles não quiseram parar o exercício para dar entrevistas, mas enquanto passaram pela equipe de reportagem disseram que há o “toque de recolher”: depois das 20h, e não se arriscam a ficar pelo portal.

O auxiliar pedagógico Cristiano Neves, 44, corre todos os dias no portal e aponta que o horário entre 17h e 18h é o que se sente mais seguro para a prática esportiva. “Esse horário é tranquilo”, comentou.

(Denilson D’almeida/Diário do Pará)

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