O Pará recebeu R$ 36 milhões do Ministério da Saúde (MS) para fortalecer o atendimento na atenção básica à saúde da população. O anúncio dos recursos foi feito ontem pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, em Ananindeua, município que recebeu R$ 2.159.164,80 do montante. A verba para Ananindeua foi solicitada ao MS pelo ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, que também participou da cerimônia de repasse dos valores, que foi acompanhada de uma reunião de trabalho no Instituto Evandro Chagas (IEC) com gestores de 85 municípios do Pará, incluindo os prefeitos de Belém e Ananindeua.
A atenção básica é a principal porta de entrada no sistema de saúde pública, e os novos recursos vão possibilitar o custeio de 176 novas equipes do Programa Saúde da Família, a contratação de 503 novos Agentes Comunitários de Saúde, a implantação de 79 novas equipes de Saúde Bucal e 27 novos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, além de uma nova equipe de Consultórios na Rua e duas novas equipes de Saúde Prisional. “São recursos bastante significativos que vão ajudar os gestores do Pará a prestar um serviço de mais qualidade à população”, disse Ricardo Barros, que ao responder sobre as possibilidades de aumento dos recursos per capita informou que estão cadastrando o máximo de serviços possíveis para melhorar também essa modalidade de repasses.
Já o ministro Helder Barbalho destacou a importância da parceria do Governo Federal com os municípios. “É nos municípios que a atenção básica acontece, mas nós sabemos que garantir essa assistência de qualidade ainda é um grande desafio para os gestores, e essa injeção de recursos vai ajudar nosso Estado a avançar muitos passos”, destacou.
RECONHECIMENTO
Na mesa da solenidade, os prefeitos Zenaldo Coutinho, de Belém, e Manoel Pioneiro, de Ananindeua, agradeceram ao empenho do Governo Federal pelos repasses, já que os dois municípios ainda têm unidades para estruturar e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para inaugurar, sendo duas prontas só em Ananindeua, mas que ainda não foram inauguradas pela dificuldade da prefeitura em bancar o custeio.
O presidente da Federação das Associações de Municípios Paraenses, Xarão Leão, de Breves, representou os demais prefeitos presentes. “A municipalização da saúde sempre foi o maior desafio para os gestores municipais, e esse apoio do Governo Federal é fundamental”, afirmou.
O prefeito de Uruará, Gilson Brandão (PMDB), disse que tem uma UPA concluída, mas sem condições de funcionar, sem ter equipamentos, ressaltando que toda ajuda do MS é importante para a reorganização da saúde no seu município.
Vacina contra o zika segue em produção
Antes da reunião com os gestores, os ministros Helder Barbalho e Ricardo Barros visitaram a seção de Arbovirologia do Instituto Evandro Chagas, onde a vacina contra o zika vírus está sendo desenvolvida. Em fevereiro de 2016, o Ministério da Saúde firmou o primeiro acordo internacional com a Universidade do Texas Medical Branch, dos Estados Unidos, para desenvolvimento da vacina pelo IEC. O acordo previu a destinação de R$ 7 milhões até 2021 para a produção da vacina, que já passou por testes em camundongos e primatas não-humanos, realizados com sucesso simultaneamente no IEC, no Pará, e na Universidade do Texas.
Os testes em humanos devem ser realizados a partir de 2019 na Fiocruz/Biomanginhos, no Rio de Janeiro. “Esse é um passo muito importante para a saúde pública. Nos dá muito orgulho de estar aqui no Instituto Evandro Chagas recebendo as melhores notícias sobre a produção dessa vacina, que vai sair aqui do Pará e vai ajudar o Brasil e o mundo no controle da microcefalia causada pelo zika vírus”, enalteceu Helder Barbalho.
(Cléo Soares)
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