Quase 1 km de poeira e buracos, além de muita reclamação. As obras na avenida Bernardo Sayão, entre as avenidas José Bonifácio e Augusto Corrêa, no bairro do Guamá, em Belém, têm tirado a paciência dos moradores, que estão convivendo há quase 1 ano com os transtornos do trabalho de duplicação da via.
“Tem sido difícil porque a gente espera a conclusão das obras, mas nunca chega. Carros, ônibus e caminhões pesados passam aqui na porta de casa em alta velocidade. Não tem nenhum tipo de sinalização na rua, reclama Raimunda do Socorro Viana, 43 anos, dona de casa. “Fica essa poeira irritante”. Segundo ela, os seus 2 filhos, de 18 e 8 anos, estão adoecendo constantemente. “É por causa dessa poeirada toda. Não se pode abrir a janela. Ficamos desse jeito, esperando o fim desse sufoco”, diz.
Há 3 meses trabalhando em uma padaria no trecho das obras, o casal de comerciantes João Batista, 59 anos, e Suely Sacramento, 53 anos, também reclama dos transtornos que os trabalhos estão causando. Com um pano úmido e álcool, o casal limpa o balcão do comércio, para evitar que a poeira afaste ainda mais os clientes. “As vendas já diminuíram. A gente precisa ficar limpando o tempo todo para ver se ameniza e os clientes se aproximam”, afirma João. “Antes, o problema era o lixão. Agora, é a poeira. Torcemos para que essa obra acabe logo”, acrescenta Suely.
ÁGUA
O conferente de cargas Antônio Santana, 56 anos, que trabalha em um porto naquele trecho da Bernardo Sayão, diz que o carro-pipa - de empresa que presta serviço para a Prefeitura de Belém -, passa nos 2 sentidos da via espalhando água para tentar amenizar a “nuvem” de poeira provocada pelos veículos pesados que trafegam constantemente por ali. “Mas isso não resolve. Dez minutos depois que é jogada a água, já está tudo seco novamente, principalmente durante esse verão”, destaca.
Durante a tarde de anteontem, a reportagem encontrou apenas 2 trabalhadores nas obras. “Quem sofre somos nós, que mora, tem comércio ou precisa passar por aqui”, desabafa o autônomo José Ribamar dos Santos, 48 anos. O DIÁRIO pediu esclarecimentos da Prefeitura de Belém sobre o andamento das obras. Mas até o fechamento desta edição não teve retorno.
(Michelle Daniel)
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