Como se não bastassem as péssimas condições de estrutura e saneamento básico, os moradores da passagem Dalva, localizada na comunidade da Fé, no conjunto Tapajós, bairro do Tapanã, em Belém, sofrem com a falta de água há mais duas semana. Pelo menos 100 famílias são atingidas com a precariedade do fornecimento de água que perdura desde janeiro deste ano.
“A gente não tinha esse problema, mas, desde o início do ano, vinha muito fraca, somente nas torneiras baixas. Agora, nem isso”, reclama Vanessa Beltrão, de 34 anos, turismóloga. A moradora estava com um amontoado de roupa e louças para lavar durante a entrevista. Segundo ela, além dos gastos a mais comprando água mineral diariamente para tomar e conseguir fazer comida, ela conta com a boa vontade de Antônio Neves, de 73 anos, o único vizinho que possui poço artesiano naquela rua. Ele diz que toda a comunidade vai buscar água na casa dele. “Cedinho já tem gente aqui com baldes e garrafões. Até à noite o pessoal vem pegar água. Se eu posso fazer isso, eu ajudo”, comenta.
CONTA
Mesmo com o apoio do vizinho, Sandra Dutra, de 40 anos, doméstica, não se conforma com o problema. Não é para menos. Ela paga uma taxa mensal de quase R$ 20 para a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), responsável pelo fornecimento de água, porém não usufrui do serviço. “A conta vem todo mês e cadê a água?”, questiona. “É um absurdo. E cada dia que passa é pior”, acrescenta. “A gente vai se virando como pode, mas faz tempo que não sei o que é tomar banho no chuveiro”, conta Félix de Oliveira, de 59 anos, catador de latas.
SEM RESPOSTA
Sobre a falta de água na Comunidade da Fé, a reportagem questionou a Cosanpa em busca de esclarecimentos para a interrupção do fornecimento do líquido e da previsão de normalidade. Até o fechamento desta edição a assessoria de comunicação
não deu retorno.
(Michelle Daniel)
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