Uma foto atrativa e conversas cativantes podem ser o ponto inicial para a concretização de golpes pela internet. Quando não se tem certeza de quem é a pessoa que diz estar se comunicando pela rede, o mais recomendável é ficar permanentemente vigilante.
Diretor da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), da Polícia Civil do Pará, o delegado Neyvaldo Silva alerta que, normalmente, os estelionatários que criam perfis falsos nas redes sociais para aplicar golpes costumam ser gentis e demonstrar muito interesse durante as conversas com as possíveis vítimas. Utilizando em seus perfis imagens falsas, que costumam ser atrativas, os estelionatários iniciam um relacionamento virtual com desconhecidos para tentar ganhar confiança. “Pessoas de todos os estratos sociais acabam caindo nesses golpes. São os três segundos de distração que faz com que a vítima perca a vigilância sobre seus atos e embarque no golpe”, explica.
FOTOS ÍNTIMAS
As formas de tentar cooptar vítimas através do uso de perfis falsos na internet são diversas. Neyvaldo conta que, em um dos casos atendidos pela Dioe, um estelionatário convenceu a vítima a enviar fotos íntimas para ele. De posse das imagens, o criminoso passou a pedir dinheiro à vítima, ameaçando divulgar as fotos. “Fizemos uma armadilha e ele foi preso em flagrante”, apontou o delegado. Ele aponta que seria preciso fazer um levantamento específico para determinar quantos casos de estelionato desse tipo já foram atendidos pela Divisão, já que todos são enquadrados no crime geral de estelionato. “Outro caso que recebemos foi de um homem que se dizia membro da Marinha da Inglaterra. Disse que viria passar férias no Brasil e em um dado momento pediu R$ 7 mil emprestados para a pessoa com quem estava se relacionando, para pagar a liberação de sua bagagem. A pessoa fez o depósito e esperou a chegada do homem a Belém, o que nunca aconteceu”.
Produtos com preço muito baratos? Ligue o alerta...
Outro tipo de golpe já registrado no Estado envolve a oferta de produtos que, na realidade, não existem. Por meio dos perfis falsos, os estelionatários informam, por exemplo, que estão de viagem marcada para os Estados Unidos e que lá comprarão aparelhos de celular a preços bem abaixo do valor de mercado. As vítimas efetuam depósitos para que a pessoa compre os aparelhos no exterior, mas não obtêm mais respostas. “Um iPhone custa em média R$ 3.500 a R$ 4 mil e ofertam o aparelho por R$ 2 mil”, exemplifica o delegado. “Quando há oferta de produtos com valores muito abaixo do mercado, tem de desconfiar”.
CONSCIENTE
O diretor da Dioe acredita que, hoje, a sociedade em geral já está mais consciente e ajuda a polícia a combater esse tipo de crime. “Evitar é sempre melhor porque recuperar o valor já gasto é bem mais difícil”, declarou.
O QUE A VÍTIMA DEVE FAZER?
As vítimas de estelionato pela internet podem procurar qualquer delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. A partir disso, os casos em que há indícios de existência de organizações criminosas por trás do golpe, são encaminhados para a Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) ou para a Delegacia de Repressão a Crimes Tecnológicos (DRCT).
PENALIDADES
- O crime de estelionato prevê pena de 1 a 5 anos de prisão.
- Nos casos em que as vítimas têm mais de 60 anos, a pena dobra e passa a ser de 2 a 10 anos.
(Cintia Magno)
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