Foi grande a movimentação de pessoas que buscavam homenagear entes queridos no Dia dos Pais no cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Com flores e velas nas mãos, uma grande quantidade de visitantes circulava pelos corredores do maior cemitério público da capital paraense logo nas primeiras horas da manhã. A expectativa era de que 20 mil pessoas passassem pelo local até o fim do dia.
Reunindo flores coloridas e de diferentes espécies, o aposentado Antônio Lemos Matar, 77 anos, fez questão de deixar a sepultura da família bastante enfeitada para a data. Acompanhado dos filhos João Alberico Matar, 45 anos, e Antônio Cezar Matar, 36 anos, ele prestava homenagens tanto a seu pai, quanto a outros parentes que estão enterrados no local. “Aqui estão meu pai, meu irmão mais novo, minha mãe e minha esposa”, lembrou Antônio Lemos. “Eu venho prestar essa homenagem três vezes no ano: no dia dos pais, no dia das mães e no dia de finados”.
Com velas acesas em homenagem às almas, Antônio destacava a importância do gesto e da sua realização na data exata em que é comemorado o dia dos pais. “Eu faço questão de vir no dia certo porque para mim é um conforto”.
CONFORTO
O operador Rodrigo Correia e Silva, de 32 anos, também buscava conforto ao se dirigir ao cemitério acompanhado da mãe, Rosa Maria Correia, 67 anos. Ele garante que desde que o pai faleceu, há oito anos, eles mantêm a tradição de homenageá-lo no dia dos pais. “É sempre bom vir homenageá-lo nessa data, até porque era um costume dele vir aqui homenagear os entes queridos”, lembra Rodrigo. “Nós procuramos conversar com ele. Por mais que ele não esteja mais aqui, fazemos a nossa parte”.
Emocionada por falar do esposo, a aposentada Rosa Maria destacou que o importante é que ele, de onde estiver, receba a homenagem pelo dia dos pais. “A gente sabe que ele não está mais aqui, mas é um conforto poder vir e fazer uma homenagem”.
Cemitério estava sujo e mal cuidado
Aos 87 anos de idade, a aposentada Lea Souza também tentava saudar a alma dos parentes que estão enterrados no cemitério de Santa Izabel. A dificuldade, porém, ficava por conta da sujeira que tomava algumas sepulturas. “Esse cemitério nunca foi bem cuidado. A gente acaba tendo de pagar zelador para limpar e mesmo assim não adianta”, reclamava, ao ter de passar por cima de um monte de terra e mato acumulado no túmulo ao lado do de sua família. “O poder público tinha obrigação de cuidar porque isso é ter zelo e respeito por nossos mortos”.
Praça Batista Campos foi palco de homenagem aos pais
O clima tranquilo da Praça Batista Campos foi escolhido por muitos pais para iniciar o dia em comemoração a eles. Acompanhados dos filhos, eles aproveitaram as sombras das árvores para passear e o espaço para jogar bola com as crianças.
Comemorando o segundo dia dos pais como homenageado, o operador de carne José Maria Pinheiro, 23 anos, estampava na camisa o maior presente que poderia ter recebido. ‘Tenho o melhor filho do mundo’, dizia a inscrição. “Com certeza o meu filho é o melhor presente que eu já ganhei na vida”, declarava-se, enquanto o pequeno José Mateus, um ano e onze meses, aguardava em seu colo.
José Maria conta que trabalha de segunda a sábado, então, sempre que pode, aproveita a folga de domingo para passear com o filho. No dia dos pais, a praça foi o lugar escolhido. “Tem de aproveitar cada segundo”.
ALMOÇO
Quem também se preocupou em desfrutar desde as primeiras horas o dia dos pais foi o funcionário público Eduardo Braga, 43 anos. Na praça, ele jogava bola com o filho Arthur Braga, 5 anos. “À noite eu terei de trabalhar, então vim cedinho para aproveitar o dia com ele”.
Depois da brincadeira ao ar livre, o almoço de dia dos pais seria com todos os familiares reunidos. “Não tenho como explicar o quanto é gratificante poder passar essa data com meu filho. Esse é um momento ímpar e a comemoração não poderia ser de outra forma”, considerou.
Reunindo três gerações da família em um dos bancos da praça, o aposentado Mário de Almeida, 76 anos, descreveu a possibilidade de comemorar a data ao lado do filho e dos netos como um privilégio. “Eu me sinto privilegiado de poder estar numa praça tão bonita e na companhia de meus filhos e netos”, descreveu.
Na companhia do pai, Mário, e dos filhos Jhonatan Wilber, 12 anos, e Jaiane Eloísa, de 10 anos, o auxiliar de escritório Jhonatan Melo, 33 anos, não deixou de lembrar da tradição da família. “Saindo daqui, tem o almoço com toda a família. É uma tradição que não pode faltar”.
(Cintia Magno)
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