As obras do Bus Rapid Transit (BRT), em Belém, caminham a passos muitos lentos e já têm mais de 5 anos. Percebendo essa situação, o Ministério Público do Estado do Pará (MP) promove hoje, às 9h, uma audiência pública para obter explicações sobre a execução do trabalho. “O BRT não se reduz à obra. Deveria ser um processo organizacional do trânsito, que envolve tarifas, a distribuição das estações, a ligação com comunicações rodoviárias, entre outras questões”, explica o promotor de Justiça, Raimundo Moraes, responsável pela iniciativa da audiência pública.
O promotor informa que o prefeito Zenaldo Coutinho foi chamado para participar da audiência. Foram convidadas a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Observatório Social de Belém. Qualquer cidadão que esteja interessado também pode participar. “A expectativa é que a Prefeitura apresente um cronograma para as obras físicas e que deixe claro o custo da obra, além de discutir o processo organizacional do trânsito”. Outro problema apontado pelo promotor é a falta de transparência em relação aos gastos das obras. “Os custos não estão sendo colocados em nenhum lugar de forma acessível e esse é um dos pontos abordados na audiência”, diz.
Este assunto vem sendo muito debatido na Câmara Municipal de Belém (CMB). O vereador Fernando Carneiro (PSol) diz que há uma proposta para se instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para discutir o transporte em Belém, incluindo o BRT, mas a mesa diretora da CMB não pôs sequer em votação. “O prefeito não é dono do dinheiro. Ele é apenas o gestor e deveria prestar contas com o verdadeiro dono desse dinheiro, que é o povo”, lembra Carneiro. O vereador destaca que o BRT se limita às obras físicas, enquanto deveria ser um sistema integrado de transporte.
TRANSTORNO
O agravante dessa situação é o transtorno provocado pelas obras. No km 4 da Augusto Montenegro, há intenso movimento de pessoas e veículos. Com as construções, virou um ponto de muito engarrafamento. “Essas obras demoradas trazem muitos transtornos e acabam atingindo toda a metrópole. Pelo que vejo, não acho que vai ficar pronto até dezembro”, lamenta o autônomo Antônio Nunes, 49.
Dos terminais previstos para serem construídos apenas 5 estão funcionando na Almirante Barroso e 2 na Augusto Montenegro. No km 8,5 desta última via, uma estação que está em obra mal tem a estrutura de concreto pronta. Muitas das demais estações já têm a estrutura pronta, mas continuam paradas e vazias. Na Estação Templo do Centenário, na Augusto Montenegro, o corrimão de alumínio está comprometido.As que estão em funcionamento ainda não mostraram a que vieram. A estação Marambaia, por exemplo, mesmo aberta e em funcionamento, estava vazia em parte da manhã de ontem, enquanto a parada de ônibus, do outro lado da pista, estava cheia de
pessoas.
(Alice Martins Morais)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar