Os cerca de 77,6 mil turistas esperados para o Círio de Nazaré 2017 devem injetar quase R$ 100 milhões na economia do Estado. A projeção foi apresentada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) e pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur-PA). Apesar dos dados expressivos, tanto o número de turistas, quanto o gasto médio realizado por eles devem ser menores do que os registrados em 2016.
Supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena destacou que o Círio, além da questão religiosa, é um dos maiores atrativos turísticos em termos financeiros para o Estado do Pará. Segundo ele, todos os setores da economia são impactados pelo evento e o turismo é apenas um deles. “Só os turistas que vêm de outros Estados devem gastar cerca de R$ 100 milhões, mas, se falarmos no impacto geral que o evento Círio causa na economia, esse montante chega a R$ 1 bilhão”, defendeu.
VISITANTES
No que diz respeito exclusivamente à participação dos turistas nacionais no Círio – foco da coletiva realizada na sede da Setur -, Roberto Sena explica que a perspectiva é de redução de 3% na quantidade de pessoas que devem vir de outros Estados para a festividade. Em 2016, o Pará registrou cerca de 80 mil turistas durante o Círio. Já para este ano, a expectativa é de que o número fique em 77,6 mil pessoas.
QUEDA HISTÓRICA
Desde que o levantamento começou a ser feito, há 18 anos, essa é a segunda vez que o número de turistas diminui em relação ao ano anterior. O primeiro registro de queda foi em 2016. “Por mais que o Círio seja diferenciado, também passa por dificuldades diante da conjuntura que persiste no país todo”, disse Sena.
Além das perspectivas para 2017, também foram divulgados dados acerca do perfil dos turistas que viajam a Belém em decorrência do Círio. A pesquisa foi realizada no ano anterior e deve servir para nortear as estratégias adotadas para o Círio deste ano.
Pesquisa detecta falta de comunicação
Em média, os turistas permanecem 6,91 dias em Belém por ocasião da festa nazarena. Do total de entrevistados, 72% afirmaram que ficariam mais tempo caso tivessem prévio conhecimento dos produtos turísticos do Estado. Dentre os fatores que poderiam influenciar a permanência deles por mais tempo, a realização de eventos temáticos – culturais, gastronômicos ou religiosos – fica em primeiro lugar. “Quando perguntamos o que está faltando para que os turistas conheçam outros lugares, eles responderam: ‘Conhecimento’”, destacou o supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena.
Questionado sobre a necessidade de maior informação sobre os atrativos do Estado, o secretário de Estado de Turismo, Adenauer Góes recorreu à importância da participação da sociedade nesta divulgação. “A secretaria vem incrementando cada vez mais essa informação, inclusive é com a ferramenta que os turistas apontam como a mais viável, que são as mídias sociais”, adiantou. “Mas se tivermos, além do poder público, os empresários e a sociedade promovendo o Círio será um fator importante para aumentar esse fluxo”.
Além da falta de informação, os turistas também destacaram como aspectos negativos da visita a Belém no período do Círio o transporte, a segurança e a limpeza da cidade. Os pontos positivos ficaram por conta da gastronomia, hospitalidade, cultura, natureza e religiosidade.
(Cintia Magno)
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