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É pouco provável que uma tromba d'água tenha provocado o naufrágio no Xingu

Em meio às buscas por desaparecidos no naufrágio da embarcação ‘Capitão Ribeiro’, ocorrido na última terça-feira (22) no Rio Xingu, relatos de sobreviventes apontam que uma possível tromba d’água teria provocado a tragédia. Para o Instituto Nacional de Me

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Em meio às buscas por desaparecidos no naufrágio da embarcação ‘Capitão Ribeiro’, ocorrido na última terça-feira (22) no Rio Xingu, relatos de sobreviventes apontam que uma possível tromba d’água teria provocado a tragédia. Para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), porém, é pouco provável que esse tipo de fenômeno tenha acontecido naquela região do Estado.

Coordenador do Inmet, José Raimundo de Sousa, aponta que, no momento do naufrágio, a estação meteorológica instalada em Altamira registrou céu encoberto, nublado e com ocorrência de chuvas no horário entre 18h50 e 20h30. A outra estação próxima do local da tragédia, localizada em Porto de Moz, apontou céu nublado e encoberto, com chuvas registradas entre 23h e 2h.

As imagens de satélite apontaram aglomerado de nuvens cumuluninbus formando linhas de instabilidades em grande parte da região do Xingu e centro-oeste do estado do Pará. José Raimundo explica que, as nuvens desse tipo causam chuvas ou tempestades severas acompanhadas de correntes de ar que se deslocam em todas as direções e que se caracterizam como rajadas de vento com grandes velocidades.

Quando chegam à superfície, tais rajadas de vento provocam danos materiais com quedas de árvores e ou destelhamento de casa ou galpões. “Creio que as rajadas de ventos associados a chuvas poderiam possibilitar o naufrágio, ou se tornar um dos causadores”, aponta o coordenador do Inmet. “Não confirmo a ocorrência e creio que não seja a tromba d’ água que favoreceu o sinistro do barco”.

Tromba d'água

O que é?

Fenômeno que se origina de nuvens e consiste em um turbilhão de vento, por vezes violento e que alcança velocidade máxima em torno de 80 Km/hora

Se manifesta por uma coluna de nuvens parecendo um cone, funil ou tromba de elefante e é composto de pequenas gotas de água levantadas da superfície

É semelhante ao tornado, só que ocorre na superfície de água

O Inmet aponta que é pouco provável que tenha ocorrido tromba d’ água no horário da tragédia, em torno de 21h ou 22h.

Naufrágio

O barco ‘Capitão Ribeiro’ saiu por volta das 21h do município de Santarém com destino a Vitória do Xingu. Chegou a fazer duas paradas, mas naufragou entre os municípios de Porto de Moz e Senador José Porfírio. Estima-se que 48 pessoas estavam a bordo da embarcação. Até a noite de quinta-feira, haviam sido confirmadas 21 mortes 23 sobreviventes.

Investigação

As causas do acidente estão sendo investigadas pela Polícia Civil e Marinha do Brasil. Anteontem, o Ministério Público do Pará, por meio da Promotoria de Porto de Moz, também instaurou um inquérito civil para apurar as causas e responsabilidades do naufrágio.

Na portaria, a promotora de justiça Juliana Felix considera que o transporte fluvial é o principal meio de acesso ao município e que deve ser garantida, aos passageiros e tripulantes, plena segurança nas travessias.

A promotora tambémsolicita à Capitania dos Portos e à Arcon providências urgentes para verificar a regularização das demais embarcações, a fim de evitar novos acidentes.

Barcos clandestinos são comuns, diz Arcon

A Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-PA) confirmou que o transporte que a embarcação Capitão Ribeiro fazia de Santarém para Vitória do Xingu era clandestina, uma vez que não estava legalizada para fazer o transporte de passageiros.A Empresa Almeida e Ribeiro Navegação, proprietária do barco, foi notificada pelos fiscais no dia 5 de junho “nenhum representante da empresa compareceu a essa Agência para se regularizar”, informa a nota. Mais de dois meses depois, a empresa não se regularizou e também não foi interditada pela Arcon, que afirma que “é comum que essas embarcações clandestinas fujam das fiscalizações”.

Alerta

Apesar disso, o órgão garante que vem fazendo fiscalizações diárias nos portos do Estado, e reforça o alerta aos usuários desse tipo de transporte que não utilizem dos serviços de embarcações clandestinas. No Pará, 128 embarcações são cadastradas na Agência, operadas por 45 empresas e em 57 linhas.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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