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Umbandista relata caso de perseguição religiosa em Ananindeua

Era quinta-feira, 24 de agosto, dia que na Umbanda são celebrados os Exus. O que deveria ter sido um momento de louvor para os praticantes da religião afro-brasileira, teve cenas de ameaças e acabou na Seccional de Polícia, na Cidade Nova, em Ananindeua.

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Era quinta-feira, 24 de agosto, dia que na Umbanda são celebrados os Exus. O que deveria ter sido um momento de louvor para os praticantes da religião afro-brasileira, teve cenas de ameaças e acabou na Seccional de Polícia, na Cidade Nova, em Ananindeua.

O caso foi noticiado pelo DOL. Uma participante, que esteve presente, fez um relato do ocorrido nas redes sociais.

Ela contou que, logo no início dos trabalhos, as pessoas que lá estavam foram “intimidadas, injuriadas e ameaçadas por um grupo (inicialmente formado por 3 pessoas) com bíblias embaixo do braço”.

Ela relatou ainda que os carros foram cercados e banhados com óleo ungido. Ainda de acordo com ela, “incontáveis discursos de ódio foram proferidos”.

“Tentamos prosseguir, mas as provocações chegaram em um nível tão absurdo e o discurso de ódio foi tão assustador que chamamos a polícia. Antes da chegada da viatura várias pessoas foram ameaçadas, inclusive de morte”, continua o relato. Ela diz ainda que existem vídeos, fotos e testemunhas da situação.

Na delegacia, as pessoas ameaçadas chegaram a registrar dois boletins de ocorrência. “Saímos de lá indignados e frustrados por tudo o que passamos e por um indivíduo que não brincou em serviço ao proferir ameaças”. O rapaz que ameaçou o grupo de morte foi liberado sem que tivesse os dados anotados ou qualquer procedimento feito pelos policiais.

Ela continua o relato dizendo que o local está há mais de 10 anos no mesmo espaço e nunca houve nenhum tipo de problema. “Eu fico me perguntando que deus é esse que transtorna e torna as pessoas violentas e intolerantes? Que religião é essa fundamentada em perseguição, ódio e desrespeito? Que aparato público é esse que também não adota qualquer atitude de prevenção e/ou repressão?”, questiona. “Não silenciarão os nossos tambores. Nossos corações seguirão compassados com eles”.

Leia completo:

SEGURANÇA

No ano passado, 97 autoridades religiosas (pais e mães de santo), 74 terreiros, 31 organizações de povos tradicionais de matriz africana e 22 organizações do Movimento Negro assinaram e entregaram um documento ao Conselho de Segurança Pública do Estado do Pará (Consep) na qual cobravam políticas públicas que garantam a segurança de umbandistas e seguidores do candomblé.

No documento também constava o dado de que seis pais de santo haviam sido assassinados em Belém e no Pará.

(DOL)

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