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Intercâmbio é experiência multicultural

Você já teve vontade de conhecer outro país? De aprender uma língua nova, de saber como são outras culturas, mas não tem dinheiro pra viajar? E que tal se você pudesse fazer tudo isso sem sair de casa? Algumas famílias paraenses abriram as portas de suas

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Você já teve vontade de conhecer outro país? De aprender uma língua nova, de saber como são outras culturas, mas não tem dinheiro pra viajar? E que tal se você pudesse fazer tudo isso sem sair de casa? Algumas famílias paraenses abriram as portas de suas residências para receber jovens estudantes do mundo inteiro e estão vivendo uma verdadeira experiência intercultural dentro da própria sala de estar.

Este é o caso da família de Thyssyanna Rodrigues, uma jovem graduada em Relações Internacionais que, junto de seus pais, está hospedando, desde o início de julho, o rapaz polonês Wojciech Gonczaronek, de 18 anos, que veio a Belém trabalhar em um projeto voluntário em organizações do terceiro setor. “É uma experiência incrível, eu não tive nenhum problema e, na verdade, é muito interessante ver essa troca cultural na prática”, conta Thyssianna.

FORMAÇÃO

Ela acrescenta que tem sido muito positivo, inclusive, para praticar o seu inglês e também para abrir o seus olhos e mente para o mundo. “Abre a nossa cabeça porque, querendo ou não, a nossa visão de mundo é limitada ao que a gente vive aqui no Brasil”, compartilha. “E convivendo com ele, ele traz uma nova perspectiva, o que consegue nos fazer visualizar outros caminhos para as questões do mundo”, continua.

Sua mãe, a engenheira civil Edwiges Rodrigues, também tem adorado a experiência. “Ah, é um menino de ouro. Não tenho do que reclamar, trato como filho” diz sem rodeios. Ela garante que recebeu o estrangeiro de coração puro e aberto e que o convívio tem sido tão positivo que quer receber ainda outros intercambistas depois de Wojciech. “Renasceu na gente aquela vontade de formar uma pessoa. De ajudar alguém a aprender e a crescer”, comenta.

DIFERENÇAS

Este não é o primeiro intercâmbio de Wojciech. Quando mais jovem, ele conta que já passou um tempo na casa de uma família britânica enquanto fazia um curso de inglês no Reino Unido. A diferença entre as duas, segundo ele, no entanto, é tremenda. “Basicamente, eles não eram tão abertos quanto as pessoas daqui. Havia muitas regras e eu me sentia como um estranho ali. Aqui, admito, me sinto em casa, sou tratado como um membro da família e tem sido excelente”, conta o voluntário.

Ele confessa ter adorado a cidade, os habitantes e a comida, e garante que tem sido muito melhor do que ele esperava antes de vir, pois acreditava que teria mais dificuldade para se adaptar. “A abertura das pessoas permite que eu me dê muito bem com todos e consiga trabalhar normalmente. Devo dizer que também gostei do clima, pois prefiro muito mais o verão ao inverno. E o inverno na Polônia é muito frio”, conta o europeu.

Wojciech não fala português, mas tem aprendido aos poucos nas aulas do idioma, que também fazem parte de seu intercâmbio. A barreira da língua, ele confessa, ainda é um obstáculo, mas afirma que está disposto a aprender. Como ele é fluente em inglês, assim como Thyssyanna, é sua anfitriã que cuida de facilitar sua comunicação com os outros habitantes da casa e conhecidos. “Aos poucos e com calma, ele tá aprendendo”, lembra a jovem.

Relação com estudantes estrangeiros é bem divertida

A estudante de Serviço Social Gabriela Campos, também está com uma hóspede estrangeira em sua casa. Há três semanas ela tem hospedado com seus pais a peruana Ana Isabel Alvarado, 18 anos, que veio fazer um trabalho de conscientização ambiental com crianças de comunidades carentes.

“Ah, tem sido muito divertido, muito prazeroso, a gente se deu bem desde o início”, afirma a universitária. Ela contou que, quando conversou com os pais sobre a estrangeira, eles receberam a ideia sem dificuldades. “Ah, eu gostei muito, dei todo meu apoio, porque acho muito bacana um jovem vir pra cá de outro país, para ajudar as nossas crianças e fazer um trabalho tão bonito”, compartilha a atendente Lucideia Braga, mãe de Gabriela.

Ana Isabel admite que no começo também teve muito receio e insegurança. “Você não sabe quem são as pessoas com quem vai ficar, como elas são, como vão te receber”, afirma. “No fim, depois que você conhece a família e eles te aceitam como uma filha a mais, tudo passa e faz com que eu não me arrependa de nada”, continua.

EXPERIÊNCIA


E não é só com o recebimento de pessoas de fora que o escritório da Aiesec em Belém trabalha. O comitê local da organização também é responsável por enviar os paraenses que têm interesse de fazer parte de um projeto voluntário em outro país, como Natally Said, estudante de Engenharia Florestal que, entre o fim de 2016 e início de 2017, esteve em Medelín, na Colômbia.

Ela também foi hospedada na casa de uma família e garante que a experiência não poderia ter sido melhor. “Eu saí daqui com uma imagem negativa da Colômbia e me surpreendi muito. Tive de me adaptar a várias diferenças, mas no fim foi incrível”, conta a estudante.

(Arthur Medeiros)

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