Ao pisar na madeira apodrecida do trapiche do Porto do Açaí, no bairro do Jurunas, em Belém, é difícil não ter receio de se acidentar. À medida que se caminha, é possível sentir as tábuas soltas, que se movimentam de acordo com o fluxo intenso de pessoas. No sábado (26), o que era receio se transformou em realidade, quando parte da ponte que é utilizado para embarque e desembarque desabou.
Passados 3 dias do acidente que deixou 5 pessoas levemente feridas, o ritmo na ponte de madeira do porto continuava intenso ontem. Por volta de 9h30, vendedores e carregadores de açaí circulavam com paneiros com açaí que, dependendo do tamanho, chegavam a 50 kg.
Para que o trabalho não fosse interrompido, o carregador de açaí Renan Abreu, 27 anos, conta que a própria população recuperou, de forma improvisada, a parte do trapiche que desabou. “Ontem (anteontem) um rapaz das ilhas trouxe madeira e a própria comunidade se reuniu e recuperou. Se fôssemos depender da Prefeitura, o trabalho tinha parado”.
Da escada que dá acesso ao rio, é possível verificar as razões que levaram ao acidente. Não só as tábuas de cima, mas também as vigas de madeira que sustentam a estrutura estão apodrecidas. Em alguns lugares, as vigas estão quebradas. Renan lembra que esta não foi a primeira vez que pessoas se acidentaram no local em decorrência das condições da ponte. “Já aconteceu várias vezes de quebrar um pedaço e machucar gente. Aqui a gente trabalha 24 horas”. Em um dos boxes que compõem o complexo do Porto do Açaí, o autônomo João Carlos Amaral, 50, lembra que paga uma taxa de R$30 por mês para poder trabalhar no local.
RISCOS
O mínimo que ele espera é estrutura para atuar com segurança. “Tem muita gente que desembarca aqui também. Tem cadeirantes que precisam descer aqui e é completamente inseguro”. O autônomo trabalha no porto há 40 anos e aponta que a necessidade de reforma já é percebida há anos. Ele lembra, ainda, que a Prefeitura Municipal de Belém apresentou um projeto de reforma do porto, mas que a obra até hoje não foi concluída. “Ia ficar bonito, com uma orla bonita para atrair turistas, mas a obra parou.”
No local para verificar as condições do trapiche, o diretor de obras civis da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), Reinaldo Leite, confirmou que a obra estava parada desde agosto de 2016. “Essa situação de crise que passamos e toda a dificuldade de repasse fez com que houvesse um atraso nas obras”, justificou. “Nós ainda vamos ter de fazer a recuperação dessa ponte porque ela tem de estar funcionando até concluirmos a obra”.
A estimativa é de que a obra demore mais 1 ano para ficar pronta. Segundo Reinaldo, o serviço teria sido retomado na última segunda-feira, mas o que se via ontem eram apenas homens capinando o local onde a obra teria sido iniciada, em 2015. “Vamos precisar recuperar a ponte e reestruturar o canteiro de obras para que o trabalho continue”. Para a recuperação da ponte, o diretor apontou que a empresa responsável estimou o prazo de uma semana.
OBRA
- Com orçamento previsto de R$4,2 milhões, obra de reestruturação do Porto do Açaí teria iniciado ainda em 2015 com prazo de conclusão previsto para novembro de 2016.
- Em agosto de 2016, porém, o serviço foi interrompido. Segundo a Seurb, a obra teria sido retomadana segunda-feira (28).
- O desabamento de parte do trapiche de madeira ocorreu na manhã de sábado (26).
(Cintia Magno)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar