Nas últimas semanas, um cenário comum na Grande Belém tem sido a chegada repentina de pancadas de chuva em um dia ensolarado ou o contraste de um céu limpo com o tempo chuvoso entre bairros vizinhos.
Segundo o coordenador do Instituto Nacional de Meteorologia do Pará (Inmet/PA), José Raimundo Abreu, essa aparente instabilidade temporal não se trata de mudanças climáticas. “É uma variabilidade nas condições atmosféricas do período, que, na verdade, são situações cíclicas”, esclarece o meteorologista.
Segundo Abreu, desde julho o Pará vive um período de redução de chuvas, favorecido pela neutralidade do oceano pacífico. Ele se refere a não ocorrência de fenômenos climáticos como o El Niño e o La Niña, que, respectivamente, reduzem e aumentam as temperaturas em até três graus, criando um padrão de circulação que pouco favorece a formação de nuvens.
Outro fator que influencia é a descida do ar seco dos níveis altos para os mais baixos, o que comprime o ar de baixo, aumentando a temperatura e criando uma inversão térmica. Isso impede as trocas de calor de ocorrerem normalmente, enfraquecendo a ventilação. “Então o índice pluviométrico cai. Esse último mês de julho foi o mais seco desde 1991. Ele atingiu apenas 30% da média esperada.”
Enquanto o índice comum para o mês tem sido de 105,5 mm, este ano a marca atingiu somente 35,4.
OCEANO ATLÂNTICO
Paralelo a isso, há o aquecimento do oceano Atlântico norte, que provoca o desprendimento de nuvens e a entrada de umidade no continente. São essas nuvens que têm gerado as pancadas de chuvas repentinas na Grande Belém. Diferente do que acontece no inverno amazônico, no entanto, essas chuvas são pontuais e localizadas. Isso significa que cobrem apenas partes específicas da cidade, o que explica as chuvas intensas em alguns bairros, enquanto outros se mantêm secos.
(Arthur Medeiros/Diário do Pará)
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