Cerca de 160 mil famílias estão endividadas no Pará. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor Paraense (Peic) realizada pela Fecomércio-PA em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), referente a setembro deste ano. O estudo foi realizado por amostragem em Belém.
O resultado foi apresentado no último dia 26, no Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), durante a XVIII Reunião do Grupo Interinstitucional de Estudos e Análise Conjuntural (Geac), promovida pela Fundação de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) em parceria com a Fecomércio-PA, Sindilojas, entre outras entidades.
A apresentação do Boletim do Comércio Varejista e Serviços foi feita pela assessora econômica da Fecomércio-PA, Lúcia Cristina Lisboa. De acordo com o levantamento, houve uma redução no número de famílias endividadas em comparação com o mesmo período de 2016, quando 195 mil famílias estavam endividadas no Pará. Contudo, Lúcia ressalta que, embora o endividamento tenha reduzido, a inadimplência das famílias paraenses permanece alta.
Isso quer dizer que, das cerca de 160 mil famílias endividadas - que realizaram compras parceladas -, 140 mil estão inadimplentes, ou seja, estão com contas em atraso. Desse total, 134 mil informaram na pesquisa não ter condições de quitar as contas em atraso. “Houve redução da taxa de endividamento. Significa dizer que os consumidores estão comprando menos em função do nível do emprego, também por cautela devido à crise econômica. Apesar dessa redução, a inadimplência permanece alta”, detalha a economista.
SETORES
Segundo a especialista, os setores mais afetados pela inadimplência continuam sendo os que possuem mercadorias com valores mais elevados, como automóveis e eletrodomésticos, uma vez que, de modo geral, os consumidores realizam compras parceladas. Embora os consumidores ainda estejam cautelosos para voltar a comprar, ela lembra que a liberação de saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), assim como a redução da Selic de 14,25% para 8,25% – a taxa que serve de referências para as demais taxas de juros -, já são pontos positivos, enquanto medidas adotadas pelo Governo Federal. “Quando o nível de emprego cai, cai a renda e afeta a capacidade de pagamento”, acrescenta.

(Pryscilar Soares/Diário do Pará)
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