A 16ª Parada do Orgulho LGBTI de Belém vem com um tema de conscientização para a toda a comunidade: “Juventude e População LGBTI, Conscientes e Prevenidas. No Combate ao HIV”. Marcado para hoje, com concentração na escadinha da Estação das Docas, a partir das 12h, e saída com os trios elétricos, às 16h, o evento traz um novo percurso. Depois de passar pela avenida Presidente Vargas, a parada segue pelas avenidas Nazaré e Magalhães Barata, com dispersão em frente à caixa d’água de São Brás. A programação é realizada pelo Grupo Homossexual do Pará, com o apoio da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) e Movimento LGBT do Pará.
De acordo com Eduardo Benigno, um dos coordenadores da Parada, como este ano não haverá palco para apresentações na Praça Waldemar Henrique, só a caminhada com o trio elétrico, não tinha sentido descer pela avenida Assis de Vasconcelos, como em anos anteriores. “E a gente percebeu que passava por uma área muito comercial. Era importante a gente fazer um percurso por área residencial, fazer esse diálogo sobre prevenção com a sociedade em geral”, afirma.
Esse caminho vai proporcionar momentos importantes para o evento. A Parada vai ser homenageada pela escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, que faz uma apresentação especial durante o percurso. Alguns moradores da avenida Nazaré vão enfeitar suas janelas para saudar a caminhada. E como ocorre todos os anos, o evento prioriza a apresentação de artistas locais. “A gente acredita que há muitos artistas aqui que merecem ter a oportunidade de se apresentar e não é gastando cachê de artista nacional que vamos valorizar os artistas da terra”, comenta Benigno.
Em sua 16ª versão, a Parada tem a apresentação da youtuber paraense Leona Vingativa. No pós-evento, amanhã e terça-feira, será apresentada a montagem “Eu No Espelho. Sarah de Montserrat 25 Anos”, no Teatro Margarida Schivasappa, às 20h, com entrada gratuita. O espetáculo envolve várias drag queens paraenses.
Muito mais do que festa
O tema deste ano, do combate ao HIV, não era um consenso a princípio. “A gente relutou muito, durante anos, em colocar esse tema por causa do estigma que há para a comunidade sobre o surgimento da epidemia no início da década de 1990, mas os índices apontados pelo Ministério da Saúde, principalmente em relação à região Norte, apresentam um aumento alarmante da doença entre as pessoas de 18 a 30 anos. Isso reflete uma ‘juvenização’ da epidemia e, dentro dela, um recorte de vulnerabilidade de jovens gays, travestis e transexuais”, explica Eduardo Benigno.
Desde o início da epidemia de aids em 1980 até junho de 2016, o Brasil já identificou mais de 700 mil casos registrados, de acordo com Ministério da Saúde. Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos.
Durante a parada dois pontos fundamentais serão abordados: a prevenção, com o uso de preservativos, e a realização de exames periodicamente, já que o diagnóstico tardio colabora com a morte de pacientes.
Em anos anteriores, o evento já debateu assuntos relacionados às políticas públicas e aos diretos da comunidade LGBT, como a união civil entre pessoas do mesmo sexo como foco dos direitos humanos, trabalho sem preconceito com direitos iguais para todos, e a necessidade de criminalização da homofobia. A expectativa dos organizadores é que os temas chamem atenção não só da comunidade formada por lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais, mas de toda a sociedade, chamando à reflexão.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)
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