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Conheça a revolução tecnológica da indústria que mudará sociedade e já chegou ao Pará

Uma pessoa acorda. Com um clique, ela entra em uma esteira e mãos mecânicas escovam os dentes dela, calçam os sapatos para ela; em seguida, um sistema doméstico semelhante a um lava-jato dá banho, seca e arruma as crianças antes da escola. Apesar de futur

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Uma pessoa acorda. Com um clique, ela entra em uma esteira e mãos mecânicas escovam os dentes dela, calçam os sapatos para ela; em seguida, um sistema doméstico semelhante a um lava-jato dá banho, seca e arruma as crianças antes da escola. Apesar de futurista, a cena reside mais na memória da geração passada que na dos mais novos: era corriqueira no desenho "Os Jetsons", exibido pela primeira vez em 1962.

Enquanto muitos daqueles elementos ainda parecem distantes do nosso dia-a-dia (viagens domésticas no espaço, carros voadores), outros estão mais presentes do que imaginamos. Carros que não precisam de motorista; óculos que permitem a um estudante aprender enquanto “visita” cenários de outros países; pneus de caminhões com sensores que detectam avarias nos veículos para consertar antecipar consertos: muitas dessas tecnologias já estão presentes, aqui no Pará. É a chamada Indústria 4.0, um modelo que já é realidade em todo mundo e irá afetar completamente o mercado de trabalho e o modo das pessoas se relacionarem com a sociedade.

O DOL produziu uma reportagem especial explicando o que é a chamada “quarta revolução industrial”, mostrando como ela já está presente no nosso Estado, como os profissionais devem se preparar para as mudanças no mercado de trabalho e como até o sistema educacional deve ser modificado por ela. Peça para seu robô servir seu café e veja como se preparar para isso.

Futuro, ou nem tanto

No último dia 14 de setembro, a rede de supermercados Carrefour inaugurou uma loja conceito, em um bairro nobre de São Paulo, com 40 caixas para pagamento dos produtos: o detalhe é que seis deles são de autoatendimento. Sem funcionário, o próprio consumidor escaneia o código de barras do produto e efetua o pagamento com cartão. Caso o cliente coloque nas sacolas alguma compra que não tenha sido paga, o sistema aciona uma trava.

E se engana quem acha que isso está distante da realidade paraense: no início de outubro deste ano, foi apresentado na 20ª Convenção de Supermercados e Fornecedores da Região Norte (SuperNorte), realizada no Hangar Centro de Convenções, em Belém, o modelo do chamado “supermercado do futuro”.

Por meio de um aplicativo, os clientes irão escolher os produtos que querem comprar em qualquer supermercado em um raio de 25 quilômetros. Os funcionários do supermercado irão embalar e lacrar os itens selecionados para que o cliente apenas busque no local, em um sistema parecido com drive-thru, ou para que a encomenda seja levada até a casa do comprador.

Além disso, cupons de desconto e itens em promoção estarão disponível nos celulares para conhecimento dos clientes: tudo por meio do aplicativo que será lançado em Belém no próximo mês de dezembro e, após alguns meses de treinamento nos supermercados, deve começar a funcionar a partir de março do próximo ano.

Para fazer a compra pelo app, será necessário pagar uma taxa de 4,5% em cima do valor da compra.

“O cliente está acostumado a ir até o supermercado para fazer compras, enfrentar filas, ter problemas de estacionamento. Com o tempo, os clientes irão se sentir seguros para comprar pelo aplicativo até chegar ao nível do Supermercado do Futuro: um espaço reduzido, sem vagas de estacionamento, só com catracas de entrega. Custo de energia e espaço também serão reduzidos consideravelmente”, comenta Ramon Veloso, diretor executivo do Supermercado do Futuro.

Em fábricas de Belém, serviços de montar, cortar, embalar também já são feitos por máquinas. Em restaurantes da capital paraense, uma só máquina produz todos os salgados do local. O que parece uma história sobre o futuro, já é contada por aqui.

A nova revolução industrial

“A indústria 4.0 já está presente. Ela está aqui no teu smartphone, no teu bolso. Ela já está acontecendo. Cloud computer, inteligência artificial, big data, veículos autônomos. Essas tecnologias todas que compõem a 4.0 estão pacificadas, já são consideradas tradicionais de mercado”, comenta Luiz Pinto, diretor de Serviços Tecnológicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

“Está tudo aí: a robótica, a automação, a virtualização, a digitalização. Não tem segredo. Engana-se o pessoal que está pensando que é um negócio novo, que ainda vai acontecer. Já esta aqui, já aconteceu”, continua o gestor.

A Indústria 4.0 pode até estar aí, mas cloud computer…big data…nenhum desses termos é tão comum assim. Mas podemos pensar, por exemplo, sobre o site de filmes Netflix ou o smartphone que boa parte dos internautas possuem: quanto mais filmes ou séries você assiste no Netflix, o site reúne e analisa as informações sobre o perfil do internauta (que tipo de conteúdo prefere, que horas assiste, em que ponto do filme você para ou avança) e forma um conteúdo personalizado para cada usuário; isso é a big data.

“A big data você já viu no seu celular. Toda vez que você vai instalar um aplicativo, o que o aparelho pergunta? Se o usuário autoriza o aplicativo a ter acesso às suas informações. Quando você permite, o dono do aplicativo está reunindo e coletando informações, aprendendo com o perfil do consumidor, para depois entregar um produto que será único para você”, explica Luiz Pinto. “O teu Netflix é único no mundo. Nunca vai existir um perfil igual ao seu”, continua o diretor do Senai.

Integrar os sistemas de análise avançada usados pelo Netflix, a automação, sensores inteligentes, robótica, softwares que integrem todos os processos dentro da indústria, dentre outros elementos e tecnologias: isso é a chamada quarta revolução industrial

“A Indústria 4.0 é a integração de diferentes tecnologias que combinam componentes físicos e digitais. Entre as mais relevantes para este processo estão a Internet das Coisas (IoT), sensores, robótica avançada, impressão 3D, novos materiais, big data, computação em nuvem, sistemas de conexão máquina-máquina (M2M), infraestrutura de comunicação, inteligência artificial, sistemas de simulação”, explica Vinícius Fornari, especialista em Política e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


Vinícius explica que, no entanto, não é preciso que todas essas tecnologias estejam juntas dentro de um mesmo processo produtivo para caracterizar a indústria 4.0 (o que seria até economicamente inviável para as muitas indústrias e empresas).

“As combinações entre essas tecnologias são diversas e vão variar de empresa para empresa, dependendo das tecnologias adotadas, do grau de integração e de suas estratégias”, explica o gestor do CNI.

“Para a maioria das empresas, o processo será gradual e customizado, dependendo dos investimentos realizados e da capacitação tecnológica e produtiva já existentes, podendo passar pela integração dessas tecnologias em máquinas e equipamentos em uso, por exemplo, com a implementação de sensores e softwares, até a compra de novos bens de produção, como o caso da manufatura aditiva”, completa Fornari.

Máquinas e humanos no mercado de trabalho

Tanta inovação e ferramentas tecnológicas automatizadas fazem com que muitas pessoas - desde a sociedade em geral a pesquisadores - vejam a revolução da indústria 4.0 como uma espécie de “armagedom dos empregos”, com máquinas “roubando” as vagas de trabalhos de milhares de pessoas. Mas a realidade não necessariamente será essa, segundo o diretor de Inovação do SENAI: com a capacidade de criação, de inovação, de resolver problemas e de gerir conhecimento, o ser humano ainda está longe de perder seu lugar.

“A criatividade que o robô nāo tem é para onde os empregos irão migrar. Máquinas não geram conhecimento. Elas apenas operacionalizam. Quem gera conhecimento é o homem. Sou da escola que vê o lado das possibilidades infinitas que a indústria 4.0 irá trazer: ela irá tirar seres humanos das atividades rotineiras, que não exijam o cérebro, e levar para áreas que os robôs não irão atuar, como áreas de criação, de sensibilidade, áreas onde é necessário ter senso de urgência, ter visão de futuro, ter relacionamento interpessoal”, comenta Luiz Pinto.

O diretor do SENAI cita um estudo chamado “Shift Happens” (Mudanças acontecem, em tradução livre), de Scott McLeod e Karl Fisch, que faz uma estimativa interesse sobre o cenário: 65% das crianças que estão adentrando as escolas atualmente, inevitavelmente, trabalharão em profissões que ainda não existem.

A previsão não é sem sentido: segundo Luiz Pinto, os empregos mais demandados pela indústria nesse momento não existiam há cinco ou dez anos. “E são as áreas que estão pagando melhor. É o engenheiro mecânico, o engenheiro de automação, o gerente de inovação, da eficiência energética, do design”, comenta o diretor do SENAI

Do mesmo jeito que algumas áreas passarão por um “boom de empregos”, outras devem sofrer uma redução de demanda com os avanços da Indústria 4.0. Segundo Luiz, os serviços administrativos serão os primeiros afetados.

“Primeiro, as pessoas vão trabalhar mais de casa. Temos que pensar que perdemos duas horas do nosso dia só no trânsito. Fora que o input (entrada) de dados em um sistema, isso um robô faz”, explica Luiz Pinto.

O segundo setor que deve passar por grandes impactos é o da manufatura.

“São os serviços repetitivos, que podem ser facilmente automatizados. Mas nem todas as fábricas serão totalmente automatizadas. Temos que analisar o custo-benefício da operação. Será que colocar robôs vale a pena? Qual retorno desse investimento? Dependendo do volume da produção que a indústria ou empresa tenha, o investimento pode ser muito alto”, comenta Luiz.


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