Especialista dá dicas que ajudam a evitar gastos desnecessários, compras por impulso e outros erros cometidos por quem não resiste a uma promoção
FOTO: wagner santana
economia
Pryscila Soares
Você sabia que o estado emocional pode influenciar na forma como as pessoas lidam com as finanças? Você conhece alguém que não resiste a uma placa de promoção ou a compra de um sapato novo? Não saber controlar as emoções é um dos fatores que podem levar a um desiquilíbrio da vida financeira e ao endividamento. Com as contas em atraso, muitos acabam obrigados a reduzir gastos com o que realmente é necessário para a sobrevivência. É o que mostra uma recente pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), onde 47% dos inadimplentes afirmam ter cortado itens importantes e de primeira necessidade para a família.
Para a psicóloga Vânia Caledônio Ortiz, o consumismo é uma característica comportamental e cultural presente no Brasil. Em um momento no qual a o País se encontra economicamente instável, esse tipo de comportamento negativo fica ainda mais evidente. “A pessoa sente uma necessidade de mostrar que não está passando por grandes dificuldades”, diz a especialista, ao ressaltar que uma pessoa com o emocional afetado pode acabar expondo uma realidade financeira que não existe no mundo dela.
Segundo a psicóloga, quem se identifica com essa situação precisa aprender a controlar seus impulsos e, em alguns casos, é recomendado também buscar ajuda de um profissional. “Ele vai avaliar o histórico de vida da pessoa, o contexto no qual ela está inserida e as caraterísticas da personalidade que levam a tomar esse tipo de atitude”, sintetiza Vânia.
PLANEJAMENTO
Outra recomendação para não deixar as dívidas acumularem é saber quanto ganha e quanto pode gastar. Dar preferência aos gastos domésticos essenciais e a quitação das contas como luz, água, escola das crianças e etc. “O desiquilíbrio financeiro pode gerar inúmeras consequências como abrir mão de projetos, ansiedade, depressão e uma preocupação excessiva com o futuro”, pondera.
VOCÊ COMPRA POR PRAZER OU POR NECESSIDADE?
O DIÁRIO foi às ruas do centro comercial de Belém e constatou que os consumidores entrevistados se consideram controlados quando o assunto é consumo. “Em tempos de crise, a gente precisa ter controle das finanças”, disse a professora Ana Célia Lima, 41, afirmando que dispensa gastos com coisas consideradas supérfluas para ela.
Mãe de três filhos adultos, a autônoma Andrea da Conceição, 43, conta que os filhos aprenderam a controlar os gastos desde cedo. “Nunca fui de fazer as vontades deles. Meus pais me ensinaram a economizar e nunca tive problemas com dívidas”, garante.
A autônoma Angélica Lisboa, 43, também não se considera uma pessoa consumista. Até para fazer as compras no supermercado ela leva a listinha com os itens que estão em falta na dispensa. “A gente tem de dar valor ao esforço do nosso trabalho. Hoje em dia está tudo muito caro”, afirma.
Já o motorista Osvaldo Souza, 65, garante que tem todo o orçamento doméstico organizado. A preferência é separar a renda para o pagamento de contas e despesas mensais. “Ganho pouco e gasto pouco. Se a gente não for controlado vai viver devendo”, conta.
COMO SEPARAR A EMOÇÃO DAS FINANÇAS
Esteja ciente da sua real situação financeira, dando preferência às despesas domésticas essenciais como alimentação, saúde e educação dos filhos;
Controle impulsos e, caso não consiga mudar de comportamento, busque ajuda de um profissional;
Se você se considera consumista e gasta mais do que ganha, elimine o cartão de crédito e outras despesas;
Antes de ir às compras, defina prioridades. Evite ir às compras se estiver triste, ansioso ou angustiado.
FONTE: Psicóloga Vânia Caledônio Ortiz
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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