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Natal é união, é amor...

Desde a entrada no apartamento, a atmosfera do Natal toma conta. As lembranças estão por toda a parte seja na figura do Papai Noel, da árvore enfeitada, ou mesmo das cores natalinas espalhadas por almofadas e toalhas. Em local de destaque, o presépio que

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Desde a entrada no apartamento, a atmosfera do Natal toma conta. As lembranças estão por toda a parte seja na figura do Papai Noel, da árvore enfeitada, ou mesmo das cores natalinas espalhadas por almofadas e toalhas. Em local de destaque, o presépio que rememora a história do nascimento de Cristo não deixa esquecer o motivo de toda a comemoração.

Nas casas de muitas famílias de Belém, a tradicional ‘magia’ do Natal segue mais forte a cada ano. Uma vez que se está no apartamento do advogado Henrique Sauma, 40 anos, é impossível não sentir o encantamento provocado pela data que, para os cristãos, é uma das mais importantes do ano. Local tradicional de reunião da família e dos amigos, o ‘puxadinho’ – como o apartamento foi carinhosamente apelidado – também será o ponto de encontro no dia 25
de dezembro.

"Essa preocupação em manter o clima do Natal também é para manter viva essa chama de união”, Henrique Sauma (Foto: Celso Rodrigues)

O Papai Noel João durante uma apresentação no restaurante Famiglia Sicilia (Foto: Celso Rodrigues)

DECORAÇÃO

No que depender da decoração organizada por Henrique Sauma, sua mãe Zezé Sauma e a namorada dele, Roberta Amanajás, o cenário ideal para os festejos de final de ano está mais do que garantido. “Estar com a casa arrumada e preparada pra um momento festivo melhora o astral e até mesmo o clima dentro de casa”, avalia. “Para mim é fundamental manter isso porque tenho as melhores lembranças de Natal desde a infância”. Henrique lembra que quase toda a família tem um patriarca e que, na dele, essa figura era desempenhada pelo avô.

Após o falecimento do familiar há 7 anos, porém, Henrique conta que a família acabou ficando um pouco dispersa e o ‘puxadinho’ passou a ser uma referência para todos. “Essa preocupação em manter o clima do Natal também é para manter viva essa chama de união”.

No Natal deste ano cerca de 25 a 30 familiares e amigos devem se reunir na casa de Henrique. Independentemente de toda a animação da festa, cuidado com a preparação das comidas e escolha dos enfeites, o advogado faz questão de destacar o personagem principal da comemoração. “O Natal é especial pelo simbolismo que representa o nascimento de Jesus e o renascimento de cada um de nós. A gente faz a festa, mas não pode esquecer do aniversariante”.

A celebração do nascimento de Cristo também é colocada no centro das comemorações da família Santos. Além da tradicional troca de presentes e brincadeiras, a véspera do dia 25 é marcada pelo parabéns cantado em homenagem ao real símbolo do Natal, que é Jesus. “A gente sempre tenta passar para as crianças que o espírito natalino não é o bem material e, sim, Jesus”, explica a psicóloga Lorena Santos, 30 anos.

A época do Natal é praticamente o único período do ano em que a família consegue estar completa em Belém. Lorena lembra que a irmã Loreane Santos, 28 anos, mora em Altamira e, como trabalha na área da saúde, não costuma ter muitas folgas para viajar para Belém ao longo do ano. É no recesso de final de ano que a família sempre se encontra.

Para a comemoração do nascimento de Cristo esteja completa, se reúnem Lorena, o esposo Edgar e o filho Hugo Luís, de 3 anos. A irmã Loreane, o esposo Cláudio e os filhos Maitê, 4 anos, e Théo, 13 dias. A mãe e o pai das meninas, Lúcia e Luiz Santos e a avó Ana Lúcia Ferreira e a tia Ana Maria Ferreira. “Quando a gente consegue reunir todo esse calor humano é que o espírito natalino se faz presente realmente”, relaciona Lorena. “Sempre fomos acostumadas com uma família grande. Com certeza não teria graça se reuníssemos só os que moram em Belém”.

Um dos responsáveis por manter a graça do Natal viva, o “Papai Noel” João Carlos de Oliveira também vê no amor a principal razão da data. Sempre que uma criança vai até ele fazer um pedido, João Carlos faz questão de frisar que “o Natal representa o nascimento de Jesus que veio para nos salvar”.

Ao longo dos 18 anos de atuação como Papai Noel, João Carlos lembra que já recebeu os mais diferentes pedidos. Infelizmente, nem todos podem ser realizados, mas ele se esforça para que a chama do Natal não se apague para nenhuma criança. “Em um desses anos uma criança me disse que não queria presente, que só queria o pai de volta – o pai da criança havia morrido em um acidente de moto cinco dias antes do pedido”, lembra, emocionado. “Esse é um presente que o Papai Noel não consegue dar, mas é preciso muito espírito de Natal para confortar a criança”.

A magia do Natal está presente entre os adultos e, sobretudo entre as crianças (Foto: Rogério Uchõa)

Espírito natalino e solidariedade

O espírito natalino e o sentimento de solidariedade aflorado que muitos sentem nessa época do ano pode ter uma explicação relacionada à própria cultura que nos cerca. Para o psicólogo Paulo Monteiro, a sensibilidade que toma conta das pessoas atende a todo um contexto voltado para a data. “A teoria nos aponta que um dos níveis de determinação do comportamento é a cultura. O próprio fato da cultura dizer que temos de agir assim, nos faz ter esse sentimento de solidariedade e confraternização aflorado”.

É por essa razão que o psicólogo aponta que, hoje, é praticamente impossível se manter imune às influências da data. Outra variável apontada por ele para que, neste período, as pessoas despontem para a ‘magia’ do Natal é um próprio balanço pessoal do que fez ou viveu ao longo do ano. “Nesse balanço as pessoas acabam pensando em como podem melhorar, no que podem mudar”.
No que se refere à religião, o cientista das religiões José Antônio Mangoni aponta que o Natal se torna muito marcante na cultura ocidental porque o cristianismo dominou a Europa e, consequentemente, suas colônias. “O aspecto de origem do cristianismo está no nascimento de Jesus e a cada ano isso é recuperado para que não se perca”.


(Cintia Magno/Diário do Pará)

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