Na entrevista de mais de uma hora que concedeu ao programa Sem Censura da TV Cultura do Pará no último dia 22, o governador Simão Jatene foi evasivo, se atrapalhou com as palavras e pouco explicou ao povo paraense e aos jornalistas Hiroshi Bogéa, Renata Ferreira e Alinne Passos, que conduziram a entrevista.
Jatene, como era de se esperar, relegou o caos na segurança pública - com quase 9 mil mortes violentas no Estado apenas em 2017 - a segundo plano. Ele, que está cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, também não se manifestou sobre as chacinas ocorridas em Belém este ano e nem na cidade de Pau d’Arco, onde 10 trabalhadores foram mortos numa ação suspeita das polícias Civil e Militar.
Disperso, parecendo pouco se importar com a entrevista, Simão Jatene colocou uma pá de cal na candidatura do prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, ao governo do Estado. Na verdade, ao ser indagado sobre a intenção de Pioneiro, ele ignorou a pergunta e deixou claro que sua opção inicial é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcio Miranda, que, segundo ele, “tem um trabalho na Assembleia que o credencia a ser um bom candidato”.
Outro ignorado foi o vice-governador Zequinha Marinho, que não pretende renunciar, como já sugeriu o próprio Jatene, para facilitar a vida do governador em se candidatar ao Senado. Hiroshi Bógea sugeriu que Zequinha seria um problema para Jatene, que desconversou e não respondeu absolutamente nada.
Quando o mesmo Bógea falou que Miranda teria uma boa circulação no interior e entre outros partidos, o governador reagiu sorrindo ironicamente, como a dizer: “É, ele é o melhor mesmo pra vir”.
Jatene, involuntariamente, confessou que as últimas administrações do PSDB (19 anos à frente do Executivo estadual nos últimos 23 anos) contribuíram para que a renda do paraense caísse.
Segundo ele próprio, em 1940, o Pará possuía o 8° Produto Interno Bruto per capita do Brasil. Em 2010 seria o 23° PIB per capita. Apesar da revelação, Simão Jatene não destacou nem citou o papel dos governos do PSDB para tentar melhorar o PIB, que é a soma de todos os bens e rendas de um Estado ou nação.
CHORAMINGOS
Na área de saúde, o governador foi mais lacônico ainda. Limitou-se a dizer que construiu alguns hospitais regionais e que há outros em construção. Foi incapaz, claro, de se aprofundar no assunto por falta de uma política clara na área. Conclusão: a entrevista chapa branca de Simão Jatene à TV Cultura revelou o que todos já esperavam: o velho cacique do PSDB falou muito, mas não disse nada. Pelo menos nada de novo, além dos ‘choramingos’ que a população já está cansada de ouvir todos os anos desde que ele tomou posse.
(Mauro Neto, colaborou Enderson Oliveira)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar